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Espanha decreta luto oficial após colisão entre trens deixar 69 mortos

Espanha decreta três dias de luto por colisão entre trens que deixou 69 mortos

A Espanha deu início nesta quinta-feira (29) a um luto oficial de três dias em decorrência da morte de pelo menos 69 pessoas em uma colisão ferroviária ocorrida na quarta-feira (28). Enquanto equipes de resgate buscam por corpos nos vagões destruídos, o país enfrenta o seu segundo grande desastre nos trilhos em 2024, após uma tragédia em janeiro na Andaluzia ter vitimado 46 pessoas.

Resgate e impacto no centro do país

O acidente aconteceu a 150 quilômetros ao sul de Madrid, envolvendo um trem da estatal Renfe, que seguia para Sevilha, e uma composição da empresa Iryo que estava parada na via. O balanço preliminar divulgado pelas autoridades de Castilla-La Mancha aponta 69 mortes e quase 50 feridos hospitalizados.

“Foi uma pancada muito forte, durou muito tempo”, disse Pablo Mejía, de 42 anos, que provavelmente escapou com vida por ter procurado um assento mais confortável em outro vagão. “Acho que nasci de novo”, afirmou, com ferimentos no rosto e o casaco manchado de sangue.

No local, equipes de emergência utilizam guindastes e cães farejadores da Guarda Civil. “Eles estão percorrendo os trilhos para ver se há algum vestígio biológico, que é a nossa prioridade neste momento”, explicou Pedro Pablo Garrido, porta-voz da Guarda Civil de Toledo.

Apoio às famílias e investigações

O primeiro-ministro Pedro Sánchez reuniu o comitê de emergências e garantiu que o governo vai apurar o caso a fundo. “Estamos trabalhando dia e noite não apenas para dar uma resposta aos familiares das vítimas, mas também para esclarecer até o último detalhe desta tragédia e, é claro, reforçar a segurança para que isto não volte a acontecer”, declarou. Os reis Felipe VI e Letizia visitarão os feridos em Toledo, enquanto uma escola em Urda foi convertida em centro de apoio aos parentes.

“Serão horas duras e longas”, disse Carmen García, psicóloga que atende as famílias no centro improvisado. “Temos pessoas em estado de choque, que não têm consciência do que aconteceu, pessoas irritadas, pessoas tristes, preocupadas, o luto vai ser complicado”, acrescentou. O pároco local, José Miguel Fernández, também relatou o desespero dos presentes: “Muitos deles estavam serenos, outros nervosos, sem esperança, queriam saber logo e ter notícias de seus entes queridos”.

Falha humana e contexto político

O ministro dos Transportes, Óscar Puente, detalhou que a batida ocorreu às 8h53 locais, precedida por uma falha informática que paralisou seis trens no trecho. Contudo, a composição da Renfe retomou a marcha sem as devidas precauções de velocidade, colidindo com o veículo da Iryo. “É o centro de controle, por meio de seus operadores, que toma a decisão de retomar a marcha, em circunstâncias que, do nosso ponto de vista, são inexplicáveis”, pontuou o ministro.

A tragédia ocorre em meio a uma greve do sindicato de maquinistas (SEMAF) e a apenas um mês das eleições gerais antecipadas convocadas por Sánchez para 29 de novembro, gerando forte pressão política sobre o Executivo.

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