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Instituição ligada ao Senado aponta impacto fiscal de promessas de campanha

Órgão do Senado diz que medidas da campanha pioraram contas públicas e exigirão ajuste maior para reequilibrar economia

As propostas econômicas apresentadas durante a disputa presidencial do atual governo pioraram o cenário das contas públicas, segundo avaliação divulgada pela Instituição Fiscal Independente (IFI).

Desequilíbrio orçamentário projetado para 2027

De acordo com o Relatório de Acompanhamento Fiscal (RAF) publicado pelo órgão vinculado ao Senado Federal, o cenário delicado exigirá um esforço de correção maior para estabilizar a economia nacional. Apenas o reajuste do Bolsa Família, a perda de arrecadação com apostas esportivas e o pacote voltado aos Microempreendedores Individuais somam um impacto de R$ 40 bilhões negativos no orçamento previsto para 2027.

O levantamento detalha que a campanha também incluiu promessas como a ampliação do programa Pé de Meia para estudantes universitários e a gratuidade no transporte público aos finais de semana, medida que dependeria de uma Proposta de Emenda Constitucional.

Projeções de déficit e necessidade de superávit

Para o encerramento deste ano, a expectativa da IFI é de um resultado negativo nas contas estatais equivalente a 0,5% do Produto Interno Bruto (PIB). Com as novas obrigações incorporadas, a entidade aponta que “é possível imaginar” um déficit primário efetivo potencial de 1% do PIB daqui a alguns anos.

Para conter o avanço da dívida pública em relação ao PIB, o órgão calcula que o país precisará alcançar um superávit primário de 2,1%, o que demanda um ajuste equivalente a aproximadamente 3 pontos do PIB.

Caminhos para a estabilidade econômica

Diante da volatilidade observada no mercado financeiro após o pleito, a instituição reforça a urgência de sinalizações claras por parte da gestão federal.

“Desequilíbrio fiscal, pressões inflacionárias, juros altos e baixo crescimento. Romper esse nó górdio deve ser a tarefa número um dentre as ações do futuro governo. Sem um ajuste fiscal consistente não haverá retomada relevante dos investimentos estratégicos, crescimento acelerado, criação de empregos de qualidade, incremento da renda e dinheiro para financiar políticas públicas essenciais”, avaliaram os diretores da IFI, Marcus Pestana e Alexandre Andrade.

O texto do órgão pontua ainda que a indicação rápida de uma equipe econômica sólida e de diretrizes claras para o mandato presidencial ajudaria a tranquilizar investidores.

“A IFI tem alertado, nos últimos anos, que é inevitável um verdadeiro ajuste fiscal, se quisermos desencadear um novo ciclo de desenvolvimento vigoroso e sustentado no país. Isso passa por produzir os superávits primários necessários para estancar o crescimento da dívida, criando o ambiente adequado para a queda das taxas de juros; desengessar o orçamento; rever o perfil dos gastos; aumentar a eficiência; e ampliar substancialmente os investimentos estratégicos estruturantes, sobretudo na infraestrutura e na inovação tecnológica”, conclui a instituição.

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