A família de Lucas Nascimento de Medeiros, um programador brasileiro de 33 anos que residia na Europa havia sete anos, está cobrando respostas das autoridades após a morte dele na Turquia. O caso gerou revolta e dúvidas entre os parentes, que perderam contato com o jovem dias antes da data prevista para o seu retorno ao Brasil.
Discussão religiosa e detenção em Esmirna
Enquanto passava férias em solo turco, Lucas envolveu-se em um desentendimento de cunho religioso, episódio no qual acabou com o rosto cortado. Ao procurar ajuda policial, ele foi detido e levado para um centro de detenção de migrantes situado em Esmirna, na costa ocidental do país.
Durante o período em custódia, o brasileiro conseguiu usar o telefone e enviou a sua localização para a mãe, além de avisar que seria mandado de volta ao território nacional. O último contato ocorreu em uma quinta-feira.
“Na quinta-feira, ele ligou e disse assim: ‘Estou detido no centro de migração na cidade de Esmirna, e está marcada a minha deportação para o Brasil entre domingo e segunda’”, contou Marcos.
Desaparecimento e descoberta da morte em hotel
No dia estipulado para o desembarque, a mãe de Lucas foi até o Aeroporto de Guarulhos aguardar o filho, mas a companhia aérea informou que ele nunca embarcou. Pouco tempo depois, a ex-namorada do programador recebeu um e-mail com a notícia de que ele havia sido achado sem vida em um quarto de hotel.
A reviravolta intrigou a família, que acreditava que ele permaneceria sob custódia migratória contínua até o momento de pegar o voo de volta. O óbito foi posteriormente confirmado pelo Consulado-Geral do Brasil em Istambul à Polícia Civil de São Paulo, conforme registro em boletim de ocorrência. Uma irmã de Lucas, residente na Europa, planeja viajar à Turquia para o reconhecimento do corpo.
Críticas ao suporte oficial e investigações
A família relata dificuldades para obter amparo dos órgãos públicos no Brasil. Segundo os parentes, a Polícia Federal alegou incompetência sobre fatos ocorridos fora do país e recomendou acionar a Polícia Civil, que registrou o caso.
“Não estamos recebendo apoio nenhum, nem da Polícia Federal, nem do Itamaraty, que sabe muito pouco sobre o caso. A Polícia Civil foi o único órgão que se prontificou”, afirmou.
O Itamaraty declarou por meio de nota que o Consulado-Geral do Brasil em Istambul está ciente da situação e mantém contato com os parentes, “a quem tem sido prestada a assistência consular devida”. O ministério pontuou ainda que não divulga dados específicos de assistência devido ao direito à privacidade. A Polícia Federal não se manifestou sobre os questionamentos até o momento, enquanto o caso segue sob análise para verificar a necessidade de cooperação internacional.






