Empresários que apoiam o presidente Luiz Inácio Lula da Silva avaliam que o próprio mandatário precisa realizar acenos diretos na área fiscal para apaziguar o mercado financeiro, após episódios de queda na Bolsa e forte alta do dólar.
Desafios para o quarto mandato
O cenário para 2027 é considerado delicado por analistas e aliados, que apontam riscos de escassez de recursos para manter programas sociais e custear a máquina pública. Para esse grupo, embora o ministro da Fazenda em exercício tenha papel fundamental, a sinalização principal deve partir do chefe do Executivo.
“Uma fala de Lula tem um peso imenso, e, até agora, ele não mandou esse recado direto, fica só lembrando que em governos passados teve responsabilidade fiscal. É preciso mais”, diz um dos empresários de forma reservada.
Propostas da Fazenda e o impacto orçamentário
O Ministério da Fazenda informou recentemente que levará ao presidente propostas para assegurar o cumprimento do centro da meta fiscal, estabelecida em um superávit de 0,5% do Produto Interno Bruto (PIB) para o próximo ano. As ações devem ser enviadas ainda neste período, com algumas exigindo aval do Congresso Nacional.
O impasse ocorre devido a medidas anunciadas pelo governo durante o período eleitoral que geram um impacto financeiro superior a R$ 40 bilhões de forma imediata. Até o momento, a gestão petista não detalhou de que forma planeja absorver essas despesas no Orçamento Geral da União sem comprometer as metas fiscais.
Projeções e exigências dos economistas
Especialistas da área econômica calculam que a administração federal necessitaria de ações concretas para entregar um superávit primário superior a 0,5% do PIB. Embora o patamar ideal de ajuste seja de 1,5% do PIB, há o entendimento de que o presidente dificilmente avalizaria um corte dessa magnitude, embora seja cobrado a sinalizar compromisso com a austeridade logo no início de seu quarto mandato.
“Lula já prometeu fazer o melhor mandato de sua vida. Para isso, porém, ele precisa entender que, sem as contas públicas arrumadas, a tendência será de juros ainda elevados, inflação pressionada e desemprego aumentando, com um resultado muito negativo para o crescimento econômico do país”, diz outro empresário ouvido reservadamente pelo blog.






