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Governo da Argentina decide ignorar vitória de Lula nas urnas

Governo Milei diz que não comentará vitória de Lula

O governo argentino sinalizou nesta segunda-feira (27) que não enviará felicitações ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva pela sua vitória no pleito eleitoral, conforme veiculado por veículos de imprensa do país vizinho.

Posição oficial de Buenos Aires

De acordo com o jornal “Clarín”, o porta-voz presidencial, Adrián Ravier, afirmou que a gestão tomou ciência do desfecho das urnas, mas descartou a emissão de qualquer nota oficial, inclusive por parte do Ministério das Relações Exteriores.

O representante do governo justificou a decisão relembrando a ausência de felicitações por parte do brasileiro quando o chefe de Estado argentino venceu a disputa em 2023. Durante uma entrevista coletiva, o porta-voz declarou: “Não houve nenhum gesto do presidente Lula para cumprimentá-lo [Milei] pessoalmente, nem nada do tipo. Porرحمن, não há nenhum comunicado que pretendamos divulgar”.

Isolamento diplomático na região

Com essa postura, Javier Milei tornou-se o único governante da América do Sul a não felicitar o líder brasileiro. Os demais mandatários do subcontinente, incluindo nomes alinhados à direita, reconheceram o resultado e enviaram mensagens ao chefe do Executivo do Brasil.

Essa divergência ocorre em meio a laços comerciais vitais. Em 2025, o Brasil figurou como o principal destino das exportações da Argentina, acumulando mais de US$ 12,8 bilhões, além de liderar as importações dos vizinhos, com US$ 18,4 bilhões em mercadorias adquiridas, segundo números oficiais argentinos.

Histórico de atritos e declarações

O silêncio institucional coroa um período de intensas rusgas e acusações recíprocas entre os dois mandatários. No segundo semestre, durante uma convenção partidária em São Paulo, Milei proferiu insultos diretos a Lula e ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal.

Na ocasião, o líder da Casa Rosada chamou Lula de “presidiário” e Moraes de “lixo careca”. Dias depois, em entrevistas à imprensa, o argentino reiterou os ataques e justificou as ofensas ao ser questionado sobre o tom adotado:

“Eles tiveram um papel muito ativo na campanha de 2023. Ou vamos esquecer que os assessores de Massa eram um grupo de brasileiros? Eu quis ver o meu amigo Jair Bolsonaro e não me deixaram. Aqui, no entanto, o ex-presidiário (Lula) veio cumprimentar a ré (ex-presidente Cristina Kirchner)”, disparou.

Em outra entrevista concedida na mesma semana, Milei manteve a retórica hostil e argumentou que não considerava suas palavras inadequadas: “Agressivo é que alguém roube. É muito mais leve chamar um ladrão de ladrão do que o próprio ato de roubar”, pontuou, classificando suas falas como manifestações espontâneas.

Reações diplomáticas

As hostilidades anteriores já haviam provocado turbulências diplomáticas, incluindo a convocação temporária de embaixadores por parte do Itamaraty. Enquanto Lula inicialmente tentou minimizar as provocações com declarações irônicas, posteriormente elevou o tom e classificou a participação do colega argentino na política interna brasileira como uma “patacoada”, reiterando que rejeita qualquer tipo de interferência estrangeira.

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