O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) considera irrelevante, para a validade do resultado eleitoral brasileiro, a ausência de manifestações dos presidentes dos Estados Unidos, Donald Trump (Partido Republicano), e da Argentina, Javier Milei (La Libertad Avanza, direita), sobre a reeleição do petista. A avaliação no Palácio do Planalto é que o reconhecimento de governos estrangeiros não interfere no resultado nem na atual relação com os países.
Peso político e repercussão regional
Uma manifestação dos 2 presidentes, porém, teria peso político. O gesto poderia ampliar o isolamento do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) na região, que não reconheceu a derrota nas urnas e anunciou que pedirá a anulação da eleição.
Ao menos 48 líderes mundiais já haviam parabenizado Lula pela vitória, entre eles presidentes de direita da América Latina, como José Antonio Kast, do Chile, Keiko Fujimori, do Peru, e Daniel Noboa, do Equador.
O Tribunal Superior Eleitoral proclamou a vitória de Lula na noite de domingo (25.out.2026). O presidente foi reeleito com 51,79% dos votos válidos, contra 48,21% de Flávio. A diferença foi de mais de 4,4 milhões de votos. O senador contestou o resultado.
Histórico de alinhamento com Milei
A aproximação entre Milei e Flávio Bolsonaro ganhou força em junho, quando os 2 se encontraram em Buenos Aires. Em 25 de julho, o presidente argentino veio ao Brasil para participar da convenção do Partido Liberal, em São Paulo, que oficializou a candidatura do senador. No palanque, chamou o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) de “melhor amigo” e declarou que Flávio poderia derrotar Lula.
Em 1º de outubro, Milei voltou a criticar o presidente brasileiro em entrevista à revista francesa Le Point e declarou que esperava a vitória de seu “amigo Flávio Bolsonaro”. Em 20 de outubro, compartilhou nas redes sociais um trecho de entrevista de Lula e insinuou que o petista poderia tentar fraudar a eleição.
O Itamaraty repudiou as declarações e classificou a manifestação como tentativa de ingerência externa no processo eleitoral. A relação entre os 2 países já estava desgastada. A representação diplomática foi rebaixada, mas os vínculos econômicos continuam relevantes. Brasil e Argentina mantêm relações comerciais estreitas, com integração em setores como o automotivo e o industrial.
Diálogo e atritos com os Estados Unidos
A relação com os Estados Unidos também atravessa um período de tensão. Em julho, o governo Trump impôs tarifas adicionais de 25% sobre determinados produtos brasileiros e de 12,5% sobre produtos abrangidos por uma investigação relacionada a trabalho forçado. As medidas foram estabelecidas após investigações comerciais conduzidas pelo governo norte-americano. Brasília manteve as negociações para tentar reduzir os efeitos das sobretaxas.
Em setembro, os 2 governos criaram um grupo de trabalho para discutir as tarifas e um possível acordo comercial. A iniciativa deu continuidade aos contatos retomados depois de uma conversa telefônica entre Lula e Trump, em agosto.
Durante a campanha, Flávio buscou aproximar-se do governo norte-americano. Em reunião com Trump na Casa Branca, em maio, o senador discutiu temas como o combate ao crime organizado e a cooperação econômica. Também defendeu uma aproximação do Brasil com governos conservadores, entre eles os dos Estados Unidos e da Argentina.






