Uma profissional de recursos humanos situada em Goiânia gerou ampla repercussão nas redes sociais ao declarar que adota como critério a exclusão de eleitores do Partido dos Trabalhadores em processos seletivos. Em gravações divulgadas na última segunda-feira (26), Mara Suassuna relatou ter recebido demandas de empresários interessados em contratar novos colaboradores sob a diretriz específica de “não ser petista”.
A polêmica envolvendo a Teoria dos Valores Humanos Básicos Para justificar a exigência, a criadora de conteúdo utilizou conceitos acadêmicos da área de psicologia, argumentando que a restrição não se tratava de preferência partidária. “Os nossos valores são fundamentais para que as escolhas sejam feitas. E por the, empresários, CEOs de empresas, as pessoas que estão por aí gerando as riquezas do Brasil tem que se preocupar sim em contratar pessoas que tenham os mesmos valores”, afirmou.
O debate sobre a legislação trabalhista e o código de ética A conduta adotada pela profissional de recursos humanos rapidamente atraiu contrapontos de outros especialistas da área de saúde mental e do direito. A legislação vigente no país proíbe expressamente qualquer tipo de barreira discriminatória que dificulte o acesso ao mercado de trabalho, conduta que pode resultar em punições financeiras severas para as companhias.
O Conselho Regional de Psicologia de Goiás foi acionado para se posicionar sobre o caso, mantendo o registro da profissional ativo, embora não tenha enviado respostas até o fechamento da apuração.
Críticas de especialistas em saúde mental Especialistas apontaram incompatibilidade entre a postura anunciada e as diretrizes que regem a profissão no Brasil. A psicanalista Luísa Jaques Côrtes criticou o uso da ciência para justificar restrições. “Posso afirmar que acho muito problemático uma afirmação como essa, ainda mais instrumentalizada pela psicologia, se esse for o caso […]. Me chama muita atenção, como sempre, após eleições a utilização de falas como essa voltam a circular”, disse a profissional.
No mesmo sentido, a psicóloga voltada à atuação comunitária Iara Caixeta Moreira pontuou que o debate sobre ética não pode ser limitado a preceitos universais isolados de contextos sociais.
O posicionamento oficial da defesa Em nota formal divulgada posteriormente, a mentora empresarial reforçou sua linha de argumentação utilizando referências acadêmicas. “Não se trata de pensar igual. Trata-se de compartilhar princípios. A Teoria dos Valores Humanos Básicos, desenvolvida pelo psicólogo Shalom H. Schwartz, demonstra que nossos valores orientam escolhas, comportamentos, prioridades e decisões. Nas amizades, nas relações profissionais e nas organizações, a compatibilidade de valores favorece a confiança, o pertencimento e a construção de objetivos comuns. Após os resultados das eleições, muitos empresários têm procurado o Instituto Mara Suassuna para novos processos seletivos, destacando o alinhamento de valores como critério decisivo na contratação. Mas atenção: alinhamento de valores organizacionais não significa alinhamento político. Significa identificar profissionais que compartilhem princípios como ética, responsabilidade, respeito, integridade e compromisso com os objetivos da empresa. A diversidade de pensamento fortalece as organizações. O que compromete os resultados não é pensar diferente, mas agir em desacordo com os princípios que sustentam a cultura organizacional. Sugiro conhecer a teoria de Schwartz. Afinal, nossos valores orientam nossas escolhas, e nossas escolhas revelam quem somos”, declarou.






