The Legend of Zelda: Ocarina of Time chegou na quinta-feira, 5, como exclusivo do Nintendo Switch 2. A nova versão celebra os 40 anos da franquia criada por Shigeru Miyamoto e chega 15 anos depois da adaptação para o portátil Nintendo 3DS, feita pelo estúdio Grezzo em junho de 2011.
Evolução técnica e supervisão de veteranos
O jogo original estreou no Nintendo 64 em novembro de 1998 e ajudou a definir como câmeras se movem, miras travam em combate e masmorras são construídas em três dimensões nos videogames. A supervisão desta nova edição ficou com os veteranos Eiji Aonuma e Hidemaro Fujibayashi, ambos produtores da franquia.
A equipe optou por manter a planta original de 1998, reconstruindo a camada gráfica, a trilha sonora e adicionando dublagem às cenas dramáticas, algo inédito na história dentro da franquia.
Novidades no combate e na exploração
Por quase 30 anos, Link só saltava automaticamente ao correr em direção a um abismo na beirada de uma plataforma. A mudança mais imediata do remake é um botão dedicado ao pulo livre, somado a um comando de arrancada rápida e ao giro solto da câmera.
O sistema de combate também ganhou atalhos diretos para alternar entre arco, bumerangue, gancho e bombas, além da possibilidade de mirar e caminhar lateralmente ao mesmo tempo usando o giroscópio do controle. O alicerce continua sendo o sistema de focalização conhecido como Z-Targeting, criado nos anos 1990 para travar a mira em arenas tridimensionais.
O efeito colateral dessa modernização aparece no nível de desafio. Como os padrões de ataque dos inimigos foram mantidos fiéis ao ritmo original de 1998, a nova agilidade do protagonista torna as lutas mais fáceis do que eram, e a ausência de uma dificuldade mais severa já na primeira partida permite que jogadores experientes avancem sem grandes sustos pelos templos.
Masmorras clássicas e facilidades para novos jogadores
A estrutura das masmorras preserva a lógica que consagrou o jogo original, exigindo que o jogador entenda o funcionamento de cada templo como um todo. É preciso mover colunas, redirecionar o fogo ou controlar o nível da água para abrir caminhos.
Para orientar uma nova geração de jogadores, a Nintendo introduziu o recurso Fios do Tempo, um diário integrado ao menu que registra os passos da campanha. Também é possível chamar um comerciante Deku dentro das próprias masmorras para comprar itens, o que elimina caminhadas de volta ao mercado central.
Uma ressalva fica para alguns quebra-cabeças, incluindo no Templo da Água, que ganharam pistas visuais tão diretas que entregam a solução antes de o jogador precisar raciocinar sobre ela.
Interatividade com microfone e novos recursos de áudio
A ocarina deixa de ser só um item de narrativa e funciona como ferramenta para alterar o ambiente. Ela muda o ciclo do dia, invocando chuva ou abrindo portais. A novidade desta versão é a possibilidade de tocar essas melodias usando o microfone embutido no Switch 2.
Isso permite ativar as magias do jogo assobiando, cantarolando a melodia ou até soprando uma ocarina real diante da televisão. O jogo também estreia integração com o recurso Zelda Notes. O aplicativo oficial da Nintendo para celular, que mostra a posição de Link no mapa e dá dicas sobre itens necessários para alcançar tesouros.
A história segue Link, morador da floresta dos Kokiri, em sua jornada ao lado da fada Navi. Eles buscam cruzar o caminho da princesa Zelda e do vilão Ganondorf. Pela primeira vez, as cenas do jogo contam com dublagem completa em múltiplos idiomas, incluindo as vozes brasileiras de Saria, Zelda, Ganondorf e Navi.
A trilha sonora original, composta por Koji Kondo, recebeu novos arranjos orquestrais conduzidos por Masato Ohashi, sem alterar as composições originais.
Desempenho e conclusão da experiência
O remake aposta numa estética mais realista que a pintura em aquarela dos últimos jogos de mundo aberto da franquia, com densidade gráfica maior e iluminação mais elaborada. O mercado central da capital do reino, que no jogo original era uma imagem estática de fundo, foi reconstruído como uma praça tridimensional com moradores e rotinas próprias.
O Switch 2 sustenta 60 quadros por segundo constantes do início ao fim da campanha, com resolução 1080p dinâmica na televisão. A Planície de Hyrule, por sua vez, mantém um desenho mais vazio entre uma masmorra e outra, reflexo da fidelidade ao mapa de 1998.
O remake entrega o que há de melhor no design original de Ocarina of Time, com masmorras que continuam entre as mais bem construídas da história dos videogames. Contando agora com fluidez de 60 quadros por segundo e uma apresentação sonora renovada. Veteranos da franquia vão sentir falta de um nível de dificuldade mais agressivo. E as pistas mais diretas em alguns templos suavizam parte do mistério original.
Para quem já viveu a aventura no Nintendo 64 em 1998, voltar a Hyrule nesta versão é uma experiência emocionante. Para quem nunca teve contato com o jogo por conta das limitações técnicas da época, dificilmente existirá porta de entrada melhor do que esta.






