O Senado do Paraguai destituiu por unanimidade o presidente Santiago Peña nesta sexta-feira (6). Diante da queda do titular, o então vice-presidente Pedro Alliana assumiu imediatamente o cargo de chefe de Estado do país sul-americano.
A queda de Santiago Peña e a crise no Ueno Bank
A derrocada do líder paraguaio, que havia sido eleito em 2023, ocorreu logo depois de ele tentar renunciar ao posto em meio a um escândalo financeiro envolvendo o Ueno Bank, instituição ligada a ex-sócios seus. Contudo, o Congresso Nacional ignorou o pedido de renúncia e prosseguiu com o processo de impeachment.
Caso a saída voluntária tivesse sido aceita, Peña teria o direito de assumir o posto de senador vitalício, o que lhe garantiria imunidade parlamentar e assento em debates sem direito a voto. Com a efetivação da destituição pelo parlamento, o ex-mandatário perdeu esse privilégio e agora pode responder a processos na Justiça.
Ainda na mesma sexta-feira, o Ministério Público determinou a prisão do ex-presidente. Segundo dados divulgados pelo diário paraguaio ABC, a detenção foi cumprida na residência de Peña, localizada na capital Assunção, onde ele seguirá cumprindo a custódia.
Trajetória de Pedro Alliana na política
Nascido em 19 de fevereiro de 1974, o novo presidente é filho de dois antigos conselheiros departamentais, Héctor Rubén Alliana Báez e María Nidia Rodríguez. Ele formou-se em relações internacionais pela Universidad Autónoma San Sebastián.
Em sua juventude, destacou-se no esporte como jogador de basquete, chegando a defender a seleção nacional em 1991. Profissionalmente, atuou no setor comercial e também no ramo de criação e comercialização de gado.
Na vida pessoal, Alliana é casado com a deputada Fabiana María Souto, com quem tem três filhos, além de ter outra filha fruto de um relacionamento anterior com Nélida Encina.
Sua entrada oficial na vida pública aconteceu em 2006, quando tentou a eleição para prefeito de Pilar, sua cidade natal, mas não obteve sucesso. A virada ocorreu dois anos depois, em 2008, ao vencer a disputa pelo governo do departamento de Ñeembucú. Posteriormente, elegeu-se deputado federal em 2013 e garantiu a reeleição em 2018, permanecendo na Câmara Baixa até 2023 e exercendo a presidência da casa legislativa durante dois mandatos.
Alliana chegou ao Poder Executivo em 2023 como vice na chapa vitoriosa liderada por Peña. Em abril deste ano, já havia oficializado suas intenções de concorrer ao Palacio de los López nas eleições presidenciais de 2028.
Os desdobramentos da crise financeira
A instabilidade política foi motivada por protestos massivos em Assunção na terça-feira (3), quando milhares de cidadãos foram às ruas exigir o acesso aos seus recursos retidos no Ueno Bank. O banco digital, considerado um dos maiores da nação, foi alvo de intervenção estatal após ser declarado insolvente e incapaz de cumprir suas obrigações financeiras.
Como consequência, o Banco Central bloqueou economias e fundos públicos e suspendeu transações de determinados fundos de investimento ligados ao banco, que atendia aproximadamente metade da população paraguaia de 6,4 milhões de habitantes.
Para atenuar o impacto sobre os correntistas, a autoridade monetária anunciou a antecipação do pagamento do Fundo de Garantia de Depósitos, limitada a 40 salários mínimos, deduzindo eventuais débitos que os clientes possuam com a instituição.
Paralelamente, o Poder Judiciário decretou a prisão preventiva de oito investigados por ligação com o colapso bancário, incluindo o presidente do Ueno Bank, Juan Manuel Gustale, e o diretor-executivo, Federico Miguel Vázquez.






