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Senado paraguaio aprova por unanimidade o impeachment de Santiago Peña

Por unanimidade, Senado paraguaio aprova impeachment de Santiago Peña

O Senado do Paraguai aprovou por unanimidade, com 44 votos a favor, o impeachment do presidente Santiago Peña nesta sexta-feira (6). A punição política foi sacramentada mesmo após o líder, eleito em 2023, tentar renunciar ao cargo em meio a um grave escândalo envolvendo o Ueno Bank, instituição financeira ligada a antigos sócios do chefe de Estado. O Congresso optou por ignorar o pedido de renúncia para evitar que o político assumisse a cadeira de senador vitalício com imunidade parlamentar, o que o protegeria de eventuais processos judiciais decorrentes da crise.

Os debates e a negativa de prazos no Congresso

Durante as discussões no plenário, o senador Éver Villalba interveio no debate inicial afirmando que sua bancada exige a saída de “toda a corja”, mas enfatizou a necessidade de observar rigorosamente os trâmites processuais. Os advogados de defesa do ex-presidente, Adolfo Ferreiro e Ricardo Preda, tentaram argumentar que o tempo concedido foi insuficiente para a preparação técnica. Contudo, o pedido de prorrogação foi negado pelos parlamentares, e o presidente do Senado, Basilio “Bachi” Núñez, conduziu as sessões extraordinárias até a votação das provas.

Argumentos da defesa e ameaça de tribunais internacionais

Diante dos magistrados e legisladores, a defesa tentou emplacar saídas jurídicas alternativas. Adolfo Ferreiro defendeu uma resolução jurídica direta para a crise constitucional: aceitar formalmente a renúncia já apresentada pelo presidente e encerrar o processo extraordinário em andamento. Além disso, os defensores alertaram que o caso poderá ser levado à Corte Interamericana de Direitos Humanos devido a supostas violações do devido processo legal e à falta de tempo hábil para contrapor as acusações volumosas formuladas pela Câmara dos Deputados.

A crise financeira do Ueno Bank

O estopim para a queda institucional começou na terça-feira (3), quando milhares de manifestantes tomaram as ruas de Assunção exigindo a liberação de recursos retidos no Ueno Bank, instituição considerada insolvente que atendia quase metade da população do país. O Banco Central decretou o congelamento de contas, gerando forte comoção social. Antes mesmo da queda oficial, a pressão política interna já era insustentável. “Não estaremos ao lado do saque dos fundos públicos, privados e dos aposentados”, afirmou Cartes, presidente da Associação Nacional Republicana (ANR), o Partido Colorado, em comunicado publicado no X.

Paralelamente aos desdobramentos políticos, a Justiça determinou a prisão preventiva de oito investigados por conexões com o colapso bancário, incluindo o presidente da instituição financeira, Juan Manuel Gustale, e o diretor-executivo, Federico Miguel Vázquez. Com o afastamento definitivo de Peña, o país entra em um novo capítulo institucional para restabelecer a estabilidade econômica e política.

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