O presidente do Paraguai, Santiago Peña, formalizou junto ao Senado um pedido de prorrogação de 72 horas para estruturar sua defesa no processo de impedimento que tramita contra ele.
A crise política e institucional no país A instabilidade política escalou drasticamente após a intervenção estatal no Ueno Bank, um episódio que deixou milhões de correntistas impedidos de movimentar seus recursos financeiros.
O Senado paraguaio pretendia retomar a sessão de julgamento nesta sexta-feira, 6, às 10h. Um dia antes, a Câmara dos Deputados deu aval unânime ao pedido de acusação contra o chefe de Executivo.
Renúncia e impasses no Congresso Mesmo tendo protocolado sua renúncia ao posto presidencial, Peña segue exercendo as funções do cargo, enquanto os parlamentares enfrentam dificuldades para deliberar sobre a saída devido à ausência de quórum necessário.
O mandatário justificou que a notificação oficial foi entregue apenas às 22h15 da última quinta-feira. O dossiê de acusação possui 15 páginas, acompanhadas por cerca de 300 páginas de anexos comprobatórios.
Garantias constitucionais Na avaliação da defesa presidencial, um intervalo inferior a 12 horas seria inviável para assegurar o direito à ampla defesa e ao contraditório, pilares fundamentais do Estado democrático de direito.
Investigações e vínculos financeiros Durante a sessão de quinta-feira, parlamentares da base opositora e deputados encarregados da denúncia detalharam as acusações perante o plenário do Senado. Entre os pontos centrais está o suposto favorecimento direcionado ao Grupo Vázquez, conglomerado empresarial que controla o Ueno Bank e no qual Peña reteve participação acionária até março de 2025.
Os congressistas também investigam uma possível negligência na supervisão exercida pelo Banco Central do Paraguai. O histórico da autarquia financeira inclui a gestão de Carlos Carvallo, que presidiu a instituição reguladora recentemente após ter comandado o próprio banco digital até o ano de 2023.
Concentração de verbas públicas Outro flanco das acusações diz respeito ao manejo de capitais do governo paraguaio. O Ueno Bank acumulava aproximadamente US$ 850 milhões em depósitos pertencentes a entidades estatais.
Entre os recursos públicos aplicados na instituição estavam montantes do Instituto de Previdência Social, fundo responsável pelo custeio da saúde e das aposentadorias dos trabalhadores no país, levantando suspeitas de interferência indevida na gestão desses valores.
O colapso do Ueno Bank O epicentro da crise ocorreu quando o Banco Central decretou a liquidação do Ueno Bank ao constatar fragilidades graves nos indicadores de solvência da corporação financeira.
A medida drástica afetou diretamente cerca de 3 milhões de clientes, desencadeando forte comoção social e pressão política. Atualmente, os órgãos competentes apuram supostas irregularidades em operações de crédito e na governança do banco.






