O primeiro turno das eleições de 2026 na cidade de São Paulo foi marcado pelo elevado desinteresse de parte do eleitorado, atingindo o pico na 1ª Zona Eleitoral (Bela Vista). O tradicional bairro da região central computou 28% de abstenção: dos 147.692 cidadãos habilitados a votar, 41.356 não compareceram às urnas em 4 de outubro. O patamar superou a média registrada em todo o território paulista, que atingiu 22,56% — a taxa de ausência mais alta no estado desde 2014.
Curiosamente, foi justamente na Bela Vista que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) obteve seu melhor desempenho percentual na capital, alcançando 60,58% da preferência (61.959 votos). Lula liderou a apuração no município com 46,58% dos votos válidos, superando Flávio Bolsonaro (PL), que teve 42,13%. O petista saiu vitorioso em 35 zonas eleitorais paulistanas — incluindo a 3ª Zona Eleitoral (Santa Ifigênia), segunda colocada em faltas, com 27,80% (40.007 ausências entre 143.909 aptos) —, enquanto o adversário venceu em 22 zonas, com destaque para Mooca e Tatuapé.
Os pontos com menor presença de votantes em São Paulo
Ao analisar os colégios eleitorais de forma individualizada, a liderança estadual de faltosos pertenceu à Grande São Paulo. No Centro Educacional Municipal de Educação Infantil (CEMEI) Alberto Santos Dumont, em Osasco, 68,64% do público não compareceu (278 ausentes de um colégio com 405 aptos). A segunda maior taxa estadual ocorreu na Fundação Casa Guayi, unidade para adolescentes em conflito com a lei situada em Guarulhos, onde 65,85% deixaram de votar (27 ausências entre 41 votantes).
Entre as administrações municipais do território paulista, a cidade litorânea de Ilha Comprida encabeçou as ausências, com 32,75% (4.355 faltas em 13.297 inscritos), seguida por Barra do Turvo, no Vale do Ribeira, com 31,56% (1.933 ausentes de 6.314 aptos). Já no recorte das zonas eleitorais do interior, a circunscrição de Ilha Solteira/Itapura computou 29,47% de abstenção (7.040 de 23.892 eleitores), acompanhada por Itanhaém/Mongaguá, com 29%.
Cenário histórico das faltas às urnas
O índice de faltas em São Paulo vem em curva ascendente: atingiu 19,52% em 2014 (6.245.198 ausentes), subiu para 21,52% em 2018 (7.111.896) e chegou a 21,61% em 2022 (7.495.213 eleitores). No quadro nacional, o índice preliminar de ausências foi de 21,08%, o mais elevado para um primeiro turno presidencial desde a disputa de 1998, quando atingiu 21,49%. Em todo o Brasil, os índices anteriores foram de 16,75% (2006), 18,12% (2010), 19,39% (2014), 20,33% (2018) e 20,95% (2022).
Vale lembrar que abstenção difere de votos brancos e nulos. A abstenção representa a ausência física do votante. Já o voto em branco (1,84% no primeiro turno para a Presidência) e o voto nulo (2,93%) ocorrem quando o cidadão vai à seção, mas escolhe não validar seu voto para nenhum concorrente.
Tarcísio de Freitas é reeleito governador em primeiro turno
Enquanto Lula venceu na capital e Flávio Bolsonaro liderou em 605 das 645 cidades do estado, a corrida pelo Palácio dos Bandeirantes terminou liquidada na etapa inicial. O governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) conquistou a reeleição com 62,85% dos votos válidos, derrotando Fernando Haddad (PT), que somou 36,22%. O resultado foi sacramentado pelo tribunal competente às 19h39, com 90% das urnas apuradas.
Após a confirmação da vitória, o governador declarou: “Quero agradecer Jair Bolsonaro que me abriu as portas muito tempo a lutas e passa por sofrimento hoje. Mas o tempo da justiça está chegando.”
O confronto reeditou o embate de 2022, mas com dinâmica diversa. Há quatro anos, a contenda foi ao segundo turno, terminando em 55,27% a 44,73% (margem de 10,54 pontos percentuais). Desta vez, a frente atingiu 26,63 pontos percentuais. Aos 51 anos, o engenheiro carioca e ex-ministro da Infraestrutura confirmou sua liderança à frente do estado mais populoso do país.
Análise política da corrida ao Palácio dos Bandeirantes
A eleição paulista foi impactada pelo contexto federal e pela polarização entre Lula e Flávio Bolsonaro. Segundo o cientista político Marco Antonio Carvalho Teixeira, professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV), crises nacionais ofuscaram debates sobre temas regionais:
“O quadro nacional obviamente afetou São Paulo. E o Tarcísio também procurou ficar distante desse processo por conta da posição confortável dele na pesquisa e dos escândalos envolvendo o Flávio. Tanto que ele não apoiou Flávio Bolsonaro de maneira tão enfática, o que fez apenas nessa reta de chegada e evitou participar de debate público”, disse.
“O Tarcísio manteve distância do Flávio para





