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Produção industrial brasileira recua 0,8% em setembro

Produção industrial cai mais que o esperado em setembro, mostra IBGE

A atividade industrial do Brasil apresentou um desempenho negativo em setembro, com uma retração de 0,8% na comparação com agosto. O dado, divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), superou as projeções pessimistas dos analistas, que estimavam uma queda mais moderada, de 0,2%. Este é o segundo mês seguido de recuo, já que agosto também havia encerrado com baixa de 0,7%.

Desempenho setorial e categorias econômicas

O cenário de retração foi disseminado, atingindo a maior parte dos segmentos monitorados pela Pesquisa Industrial Mensal (PIM). Entre agosto e setembro, 17 dos 25 ramos industriais sofreram queda, assim como três das quatro grandes categorias econômicas. O setor de derivados do petróleo e biocombustíveis teve o impacto negativo mais relevante, com baixa de 4,2%, seguido pela indústria de alimentos, que recuou 1,7%.

Outros segmentos que contribuíram para o resultado desfavorável incluem a fabricação de máquinas e equipamentos (-2,1%), produtos farmoquímicos e farmacêuticos (-3,1%), minerais não metálicos (-2,6%) e o setor automotivo (-1,2%). Em contrapartida, as indústrias extrativas registraram alta de 1,7%, atuando como o principal vetor positivo, ao lado do setor de produtos químicos e fumo.

Análise do cenário econômico

Apesar do resultado negativo mensal, o acumulado dos nove primeiros meses de 2026 mantém um leve saldo positivo de 0,4%, enquanto a variação nos últimos 12 meses é de 0,2%. No entanto, a média móvel trimestral aponta para uma tendência de baixa de 0,5%.

Segundo Matheus Pizzani, economista do PicPay, “a dinâmica observada em setembro consolida o processo de deterioração da trajetória da atividade econômica do setor industrial”. De acordo com o especialista, esse cenário já vinha sendo monitorado, mas ainda não se configurava como uma tendência clara até o momento.

Sobre os fatores que explicam a queda, Pizzani destaca a combinação de fatores sazonais e o endividamento das famílias: “O fim do período sazonalmente positivo para a produção e comercialização de alimentos, combinado com o esgotamento da capacidade de contração de novas dívidas de longo prazo por parte das famílias, gerou uma reversão forte o bastante para garantir que nem o excelente desempenho do setor de petróleo fosse suficiente para impedir duas quedas em sequência da produção industrial”.

Para o economista, o horizonte para o restante do ano é de cautela, “com probabilidade não desprezível de que o setor industrial encerre 2026 com taxa de variação no campo negativo”. Ele ressalta ainda que “o dado de hoje deve reverberar ainda no PIB do terceiro trimestre, que se aproxima cada vez mais de uma estagnação, com os indicadores do setor de comércio varejista e serviços ganhando ainda mais peso na atual conjuntura”.

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