Os contratos futuros do petróleo continuam sendo negociados abaixo da marca de US$ 100 nesta quinta-feira (5), refletindo uma retração superior a 8% registrada na sessão anterior que levou a commodity ao menor patamar em mais de dois meses.
Comportamento do mercado e cotações
Na véspera, o petróleo Brent encerrou cotado a US$ 94,62 por barril, com baixa de 8,7%, enquanto o West Texas Intermediate (WTI) recuou 8,3%, fechando a US$ 88,12. Esses números representam os menores valores desde o final de outubro. Já nas primeiras horas desta quinta-feira, o Brent registrava nova queda de 2,24%, cotado a US$ 96,74, ao passo que o WTI apresentava alta de 1,87%, alcançando US$ 89,77 por barril.
Impacto político e o cenário nos Estados Unidos
A desvalorização ocorreu logo após o Partido Republicano, do presidente Donald Trump, perder o domínio do Congresso durante as eleições de meio de mandato. Com os democratas assumindo o controle da Câmara dos Deputados e do Senado, o cenário político interno sofreu mudanças drásticas. O próprio presidente admitiu publicamente que o conflito teve influência direta na derrota expressiva de seu partido.
“O controle democrata do Congresso também poderia restringir os gastos militares dos EUA no Oriente Médio e aumentar a possibilidade de um acordo de paz em um prazo mais curto”, disse Dennis Kissler, vice-presidente sênior de operações da empresa de serviços financeiros norte-americana BOK Financial, à Reuters.
Por sua vez, o vice-presidente americano JD Vance distanciou-se da decisão de entrar em guerra, colocou em dúvida a validade do conflito e associou o embate militar ao revés eleitoral sofrido pelos republicanos.
Estratégias diplomáticas e tensões regionais
Enfraquecido politicamente, o chefe do Executivo norte-americano precisa ponderar entre buscar uma saída diplomática ou intensificar as hostilidades. Diante desse panorama, o Catar intensificou iniciativas de mediação para pacificar a região. Contudo, autoridades iranianas apontam que Washington e Teerã ainda mantêm distâncias consideráveis para selar um entendimento definitivo.
“As eleições estão dando aos investidores que apostam na queda dos preços um motivo para duvidar da continuidade do conflito no Irã. […] Estou mais preocupado com a possibilidade de vermos uma escalada antes de uma resolução”, disse Carl Larry, que lidera a equipe de negociação e risco para a América do Norte na Enverus, à Reuters.
Enquanto isso, os Emirados Árabes Unidos estudam a construção de uma nova rota de escoamento para evitar o Estreito de Ormuz, e os estoques norte-americanos registraram queda na última semana, segundo dados oficiais divulgados pelo governo dos Estados Unidos.






