O Ministério da Saúde estima um avanço de 20% a 40% nas ocorrências de dengue em 2027, cenário agravado pela influência do fenômeno climático El Niño. Diante da previsão, o ministro Alexandre Padilha confirmou que a pasta trabalha para viabilizar o retorno da vacina Butantan-DV ao SUS, embora ainda aguarde pareceres técnicos sobre a segurança do produto.
Contexto epidemiológico e o impacto do El Niño
A projeção de crescimento da doença é sustentada pela combinação entre as variações climáticas e a baixa imunidade da população, decorrente da queda nos registros de contaminação nos últimos dois anos. Sobre a suscetibilidade dos brasileiros, o ministro explicou: “Isso faz com que você tenha populações mais suscetíveis a contrair determinados sorotipos”.
De acordo com estudos da Fiocruz, o El Niño pode elevar drasticamente as notificações, com projeções de aumento de até 138,2% na região Sul e 98,4% no Centro-Oeste no início de 2027. O ministro ressaltou que as variações regionais serão determinantes: “É lógico que ela pode ter intensidade maior em algumas regiões, onde você vai ter maior seca, como no semiárido e na Amazônia”.
Status da vacinação no SUS
A vacina Butantan-DV foi suspensa em 8 de junho deste ano, após o registro de 42 casos de reações adversas graves, que incluíram dois óbitos. Atualmente, o SUS utiliza apenas o imunizante Qdenga, da farmacêutica Takeda, voltado ao público de 10 a 14 anos. Padilha reforçou que não há planos imediatos para ampliar a faixa etária de cobertura na rede pública com o estoque disponível.
Sobre o futuro do imunizante do Instituto Butantan, a gestão federal mantém cautela quanto a prazos, mas mantém o otimismo para a retomada do uso. “Nós acreditamos, trabalhamos para isso, torcemos para isso, para que a gente possa ter essa vacina disponível para utilizar. Pelo menos no ano que vem”, afirmou o ministro.
Preparação para mudanças climáticas
Além do monitoramento da dengue, o governo federal prepara uma estratégia de adaptação do sistema público de saúde para enfrentar eventos climáticos extremos. O Ministério da Saúde levará à COP31, na Turquia, um plano que inclui a reestruturação de hospitais e unidades básicas para melhorar a resiliência das infraestruturas, garantindo, por exemplo, maior capacidade de armazenamento de água em regiões afetadas por secas severas.






