O Tribunal de Justiça do Acre decretou a prisão preventiva de Francisco Valadares Neto, procurador e advogado investigado por encomendar o assassinato da médica Elyne de Assis Nogueira. O crime ocorreu na noite de segunda-feira (2), em Brasiléia, e o suspeito atualmente encontra-se internado e intubado no Pronto-Socorro de Rio Branco, depois de ter sido encontrado desacordado em sua residência na terça-feira (3).
Detalhes do monitoramento eletrônico Enquanto o corpo da vítima é velado na Igreja MCBI nesta quarta-feira (4) após passar por autópsia no Iapen, o tribunal detalhou que a médica acionou o botão do pânico momentos antes de ser baleada em um bar. Ela é a quinta vítima de feminicídio registrada no estado ao longo de 2026.
Histórico das medidas protetivas e negativas de prisão O primeiro pedido de medidas protetivas foi protocolado em 23 de agosto de 2026 e aceito pelo plantão judiciário em menos de uma hora. Foram impostas restrições como afastamento mínimo de 100 metros, proibição de contato, suspensão de posse de armas, monitoramento por tornozeleira e a entrega do botão de emergência à vítima. O Ministério Público do Acre apresentou dois pedidos de prisão preventiva que haviam sido negados anteriormente sob a justificativa de ausência de violação inicial e de o investigado estar em viagem autorizada para Minas Gerais.
“Os pedidos de prisão preventiva apresentados no curso do processo foram examinados por meio de decisões fundamentadas, considerando os elementos de prova juntados, os relatórios técnicos oficiais encaminhados ao Juízo e os requisitos previstos na legislação processual penal. O indeferimento desses pedidos não representou a revogação das medidas protetivas, que permaneceram em vigor”, informou o tribunal em nota oficial.
Alertas na noite do homicídio O sistema de monitoramento apontou alertas de proximidade na noite do crime, sendo o investigado contatado pela equipe de vigilância para deixar o perímetro. Registros da Polícia Penal indicam que ele retornou para casa às 23h11 e permaneceu no local, enquanto a comunicação sobre os disparos fatais ocorreu à 0h12.
“O Poder Judiciário informa, ainda, que, no dia dos fatos, as medidas protetivas estavam válidas, o investigado estava sendo monitorado por tornozeleira eletrônica e a vítima contava com o botão do pânico”, detalhou o órgão.
Conclusão das autoridades O caso segue sob investigação da Polícia Civil como feminicídio, enquanto o Judiciário acreano reforça seu posicionamento diante dos protocolos adotados durante o andamento das medidas cautelares.
“O Poder Judiciário do Estado do Acre reafirma seu compromisso com a proteção das mulheres, com a aplicação rigorosa da Lei Maria da Penha e com o fortalecimento da atuação integrada da rede de enfrentamento à violência doméstica e familiar”, concluiu a instituição.






