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Vitória democrata nos EUA pode enfraquecer política de tarifas de Trump

Vitória democrata pode enfraquecer tarifaço de Trump? Entenda os impactos para Brasil e outros países

A derrota do Partido Republicano nas eleições legislativas de meio de mandato nos Estados Unidos pode impor barreiras significativas à política de taxas alfandegárias adotada pelo governo de Donald Trump. O revés político altera o cenário nas relações internacionais e impacta diretamente nações como Brasil, China, Índia, Japão e Coreia do Sul.

Impactos no cenário brasileiro

No panorama nacional, a nova configuração legislativa tem potencial para dificultar a imposição de novos tributos comerciais e acelerar o escrutínio do Congresso diante de eventuais atritos bilaterais. A avaliação é de Marcos Praça, diretor de Análise da ZERO Markets Brasil, que aponta limitações na capacidade da Casa Branca de avançar com sanções econômicas.

Apesar disso, o chefe do Executivo americano preserva prerrogativas legais para taxar mercadorias estrangeiras por meio da Seção 232, focada em segurança nacional e já aplicada ao aço brasileiro, e da Seção 301, voltada a investigações de práticas comerciais consideradas desleais. Embora a Suprema Corte tenha derrubado taxas fundamentadas na Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional, os demais mecanismos continuam vigentes.

Revisão de acordos na Ásia

Aliados asiáticos tradicionais, como Japão e Coreia do Sul, também sentem os reflexos das eleições americanas. Anteriormente, governos da região firmaram promessas de aportes financeiros multibilionários para tentar escapar de barreiras alfandegárias mais rigorosas, compromissos que agora podem ser reavaliados diante do novo cenário político em Washington.

“Os democratas parecem perceber que os compromissos de investimento foram impostos aos aliados”, afirmou Heo Yoon, professor de economia da Universidade Sogang, em Seul, à Reuters.

Enquanto especialistas avaliam que Seul e Tóquio ganham margem para negociar prazos, analistas alertam para a possibilidade de o governo americano intensificar pressões caso sinta lentidão nos desembolsos financeiros prometidos para projetos de infraestrutura energética.

Cautela na Índia e estratégia da China

Em Nova Délhi, as negociações comerciais em curso ganham contornos de maior cautela após o recuo republicano. A diplomacia indiana busca equilibrar acordos tarifários enquanto avalia os próximos passos da Casa Branca.

“Uma vitória democrata não tornará necessariamente Trump mais flexível em relação a qualquer país”, afirmou Rajiv Bhatia, ex-diplomata indiano e integrante do centro de estudos Gateway House.

No caso chinês, Pequim monitora a trégua comercial vigente enquanto calcula os reflexos da perda de força política do presidente norte-americano. Contudo, analistas ponderam que o Legislativo dominado pela oposição pode endurecer restrições na transferência de tecnologias sensíveis, como semicondutores e inteligência artificial.

“Xi Jinping reconhecerá que a autoridade de Trump foi bastante enfraquecida por esses resultados e, sem dúvida, estará pensando em maneiras de explorar isso”, afirmou Saul Eslake, economista da Corinna Economic Advisory.

Por fim, embora o Parlamento americano ganhe musculatura para fiscalizar ações do Executivo, o presidente conserva instrumentos legais para manter sua agenda protecionista, enquanto parceiros globais aguardam os próximos desdobramentos diplomáticos na Ásia.

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