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Eleições nos Estados Unidos dão maioria aos democratas no senado

Eleições nos EUA: veja as sete viradas dos democratas no Senado

Em uma derrota histórica para o presidente republicano Donald Trump, o Partido Democrata conquistou na madrugada desta quarta-feira (4) a maioria das cadeiras no Senado e no Congresso em meio às eleições legislativas de meio de mandato, conhecidas como midterms.

A legenda manteve suas posições no Senado e avançou sobre vagas historicamente ocupadas por Republicanos. Os democratas elegeram 20 senadores, sendo sete de virada, e chegaram a 54 das 100 cadeiras da Casa até a última atualização desta reportagem. Os estados que tiveram uma virada democrata foram Texas, Carolina do Norte, Carolina do Sul, Ohio, Iowa, Kansas e Maine.

Disputas acirradas marcam o Texas e a Carolina do Norte Em um estado tradicionalmente republicano, foi o democrata James Talarico, de 37 anos, que conquistou uma vaga no Senado pelo Texas. Seminarista presbiteriano, Talarico derrotou o republicano Ken Paxton e se tornou um dos grandes nomes nas midterms. Evangélico, Talarico usou a fé cristã como um dos pilares de sua campanha, mas investiu em um discurso contrário ao do nacionalismo cristão que o governo de Donald Trump adota. O candidato democrata, deputado estadual desde 2018, defende a diversidade de religiões, os direitos de pessoas transgênero e da população LGBTQIA+ em geral e já disse que “Deus é não binário”.

Na Carolina do Norte, o ex-governador democrata Roy Cooper derrotou o republicano Michael Whatle na disputa por uma cadeira no Senado. Além de representar uma conquista importante nos esforços democratas para retomar o controle do Senado, o resultado marca a primeira vez que um democrata vence uma eleição para a Casa na Carolina do Norte desde 2008. Considerado um nome de peso em nível nacional, Cooper concentrou sua campanha principalmente no custo de vida, uma das principais preocupações dos eleitores.

Surpresas na Carolina do Sul e no Kansas Em uma vitória considerada surpreendente pelo próprio partido, a democrata Annie Andrews derrotou a senadora republicana Darline Graham na Carolina do Sul. Médica pediatra, Andrews será a primeira senadora democrata do estado em mais de 20 anos. Para derrotar Graham, a campanha da democrata gastou mais de U$ 4,6 milhões em apenas duas semanas antes da votação – contra um gasto de somente U$ 65 mil por parte da republicana.

No Kansas, o democrata Adam Hamilton derrotou o senador republicano Roger Marshall, em mais uma vitória surpreendente do partido. Ele é o primeiro democrata a conquistar uma cadeira no Senado por esse estado — um reduto fortemente republicano — desde 1932. Apesar do histórico conservador do Kansas, a disputa no estado foi decisiva na reta final da campanha, especialmente diante da insatisfação crescente com a condução da economia por Trump. Pastor da maior congregação metodista do país, Hamilton nunca ocupou um cargo público e esteve registrado como republicano até o início deste ano.

Disputas milionárias em Ohio e Iowa Em Ohio, o candidato democrata Sherrod Brown venceu o senador republicano Jon Husted, que buscava a reeleição. A competição por uma das cadeiras do estado no Senado dos Estados Unidos foi uma das mais acirradas e caras das eleições legislativas de 2026. Até o fim de outubro, mais de US$ 500 milhões haviam sido gastos ou reservados para anúncios eleitorais, segundo o The Hill. Durante a campanha, o democrata Sherrod Brown, que ocupou uma cadeira no Senado por 18 anos antes de perder a eleição de 2024 para Bernie Moreno, associou o adversário às dificuldades econômicas enfrentadas pela população e às políticas de Trump, que, segundo ele, contribuíram para a inflação.

O democrata Josh Turek derrotou a deputada republicana Ashley Hinson na disputa por uma vaga no Senado pelo estado de Iowa. Nascido com uma condição conhecida como espinha bífida — que ele atribui à exposição de seu pai ao agente laranja durante a Guerra do Vietnã —, Turek conquistou medalhas de ouro no basquete em cadeira de rodas nas Paralimpíadas de Verão de 2016 e 2020. Em 2022, foi eleito para a Câmara Estadual de Iowa, tornando-se o primeiro membro do Legislativo com uma deficiência permanente. Considerada uma das disputas de maior destaque no cenário eleitoral, Turek apostou nas críticas aos votos de sua adversária a favor da guerra comercial de Trump e do conflito com o Irã.

Entenda o funcionamento das midterms Diferentemente do Brasil, o Congresso dos Estados Unidos é renovado parcialmente a cada dois anos. Quando ocorrem na metade do mandato presidencial, essas eleições são chamadas de midterms, ou eleições de meio de mandato. Os deputados norte-americanos têm mandatos de dois anos, enquanto os senadores têm mandatos de seis anos. Com isso, a cada dois anos, o país renova toda a Câmara dos Representantes e cerca de um terço do Senado. Neste ano, além das 435 cadeiras da Câmara, estão em disputa 35 das 100 cadeiras do Senado.

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