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Como foi a excursão da seleção brasileira pela Europa em 1956

Em 1956, a Rádio Panamericana acompanhou a seleção em uma longa excursão pela Europa

No ano de 1956, a seleção brasileira atravessava uma fase de montagem quando a CBD, atual CBF, decidiu organizar uma longa viagem ao continente europeu. Faltavam dois anos para a Copa do Mundo de 1958, na Suécia, e o selecionado nacional ainda não contava com um treinador fixo. Para liderar o grupo nos gramados do Velho Mundo, o escolhido foi o técnico Flávio Costa, que havia amargado o vice-campeonato mundial em 1950.

Os sete amistosos da preparação europeia

Antes de embarcar rumo ao Atlântico Norte, o Brasil realizou um compromisso preparatório contra a seleção pernambucana que terminou empatado:

01.04.1956 – Brasil 2×2 seleção pernambucana – amistoso – Recife

08.04.1956 – Brasil 1×0 Portugal – amistoso – Lisboa

11.04.1956 – Brasil 1×1 Suíça – amistoso – Zurique

15.04.1956 – Brasil 3×2 Áustria – amistoso – Viena

21.04.1956 – Brasil 0x0 Tchecoslováquia – amistoso – Praga

25.04.1956 – Brasil 0x3 Itália – amistoso – Milão

01.05.1956 – Brasil 1×0 Turquia – amistoso – Istambul

09.05.1956 – Brasil 2×4 Inglaterra – amistoso – Londres (Wembley)

Ao todo, a equipe acumulou três vitórias, dois empates e duas derrotas ao longo dos sete confrontos disputados no exterior.

O histórico duelo contra a Inglaterra em Wembley

O embate diante dos ingleses, realizado no lendário estádio de Wembley, consolidou-se como o episódio mais memorável daquela jornada europeia. Apesar do revés por 4 a 2, o goleiro Gylmar dos Santos Neves brilhou intensamente ao defender duas cobranças de pênalti. O grande destaque da equipe da casa era o ponta direita Stanley Matthews. Aos 41 anos, o veterano jogador, um dos maiores nomes da história do English Team, deu uma aula de futebol. Matthews era driblador e infernizou a defesa brasileira. Já em 1958, quando o mundo conheceu o futebol de Garrincha, as comparações entre os doze foram inevitáveis. Mas vale lembrar que o inglês não disputou a Copa.

O Jornal dos Sports destacava em manchetes: “Cederam os brasileiros ante o ‘English Team’. (…) Comandados pelo velho ‘Stan’, os britânicos fizeram maravilhas.” Já a edição de A Gazeta Esportiva do dia seguinte alertava: “(…) A lição da Europa ficará marcada de forma indelével na vida do futebol brasileiro, mesmo sabendo-se que aprender sempre foi a intenção da Confederação Brasileira de Desportos. A excursão foi programada em caráter de observação, pois tínhamos a necessidade de sentir como se poderiam portar os nossos em condições tão adversas (…).”

Nessa partida específica, Taylor e Grainger balançaram as redes duas vezes cada para os donos da casa, enquanto Paulinho e Didi descontaram para o Brasil. A formação inicial definida por Flávio Costa contou com Gylmar; Djalma Santos, Pavão, Zózimo e Nilton Santos; Dequinha, Didi e Paulinho; Álvaro, Gino e Canhoteiro. É importante destacar que cinco desses titulares — Gylmar, Djalma Santos, Zózimo, Nilton Santos e Didi — levantariam a taça de campeões mundiais apenas dois anos mais tarde. Após o confronto com os ingleses, a CBD, presidida por Silvio Pacheco, cogitou um novo duelo contra Portugal, mas a partida não foi realizada.

A derrota para a Itália e a cobertura radiofônica

Antes do clássico em Londres, o selecionado canarinho já havia tropeçado em solo italiano. Na ocasião da derrota em Milão, o periódico carioca registrou: “Desta vez, nem a defesa se salvou”, era a manchete do Jornal dos Sports. Apesar das críticas, a retaguarda brasileira foi formada por grandes jogadores: Djalma Santos, De Sordi, Zózimo e Nilton Santos, sendo que todos estariam no mundial de 1958.

A cobertura jornalística da empreitada ficou a cargo da Rádio Panamericana (Jovem Pan), que atuou em conjunto com a emissora Continental, do Rio de Janeiro, antecipando a aliança que se repetiria na Copa do Mundo seguinte. Os microfones foram comandados pelos locutores Geraldo José de Almeida, representante da Pan, e Waldir Amaral, pelo lado carioca. Contudo, lamentavelmente, nenhum registro em áudio dessas transmissões históricas resistiu ao tempo.

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