O presidente do União Brasil, Antonio Rueda, e o fundador do Banco Master, Daniel Vorcaro, negociaram os termos de um contrato de R$ 320 milhões voltado para a aquisição de 49,9% da Financeira BRB, que atua como subsidiária do Banco de Brasília. Os registros dessas tratativas foram recuperados pela Polícia Federal em análises de dispositivos pertencentes ao ex-banqueiro, detalhando cláusulas contratuais discutidas em meados de 2024.
Detalhes das exigências e controle administrativo
As conversas analisadas datam de julho de 2024, período em que a instituição financeira pública era comandada por Paulo Henrique Costa. Os dados indicam que Rueda enviou a Vorcaro uma relação contendo dezenas de modificações propostas tanto para o contrato de compra quanto para o acordo de acionistas, abrindo margem para que o grupo comprador exercesse forte influência na gestão interna.
Entre os pontos debatidos nas mensagens estavam o direito de indicação do diretor financeiro e a autonomia desse profissional para validar operações de crédito. Além disso, as exigências contemplavam a maioria de votos no conselho de administração — apesar da participação societária minoritária —, a distribuição mandatória de 60% do lucro líquido e o repasse de ativos inadimplentes ao banco público.
O avanço formal e a escolha dos investidores
A busca por parceiros estratégicos para a subsidiária teve início oficial em fevereiro de 2024, por meio de um processo competitivo aberto pelo banco. Meses depois, em 5 de julho de 2024, o conselho de administração aprovou o consórcio formado por José Ricardo Lemos Rezek, André Luiz Vieira Azim e Carla Pontes, com a venda de 49,9% das ações fixada em R$ 320 milhões.
Apesar de o comunicado oficial não citar diretamente Rueda e Vorcaro como integrantes do bloco comprador, os diálogos apreendidos comprovaram a participação de ambos na formulação das condições contratuais. A transação, no entanto, passou a sofrer forte pressão regulatória devido a divergências sobre o acordo de acionistas e dúvidas acerca da origem dos recursos financeiros apresentados.
Questionamentos regulatórios e distrato oficial
Diante dos questionamentos levantados pelo Banco Central, o processo enfrentou barreiras severas e não obteve uma validação definitiva do órgão regulador. O encerramento oficial da operação ocorreu em 26 de dezembro de 2025, quando o BRB comunicou ao mercado o distrato consensual da parceria, encerrando as tratativas regulatórias pendentes.
Manifestações dos citados
A assessoria de José Ricardo Lemos Rezek afirmou ser um erro associar o empresário ao processo de aquisição da Financeira BRB. Disse que ele não participou do processo competitivo e que só foi convidado a integrar a sociedade depois da seleção do grupo vencedor, “na condição de investidor, com participação minoritária”. A equipe do empresário também diz que ele “jamais tratou de qualquer assunto da BRB Financeira com as pessoas citadas [Rueda e Vorcaro], e desconhece a relação delas com a instituição”.
A defesa de Paulo Henrique Costa também se manifestou. Informou que “as conversas não têm Paulo Henrique como interlocutor e se referem a acionistas do BRB, e não a Paulo Henrique, que sempre conduziu suas ações observando a governança, a colegialidade e, sobretudo, a legalidade”. Os advogados de Vorcaro informaram que não vão se manifestar. Rueda declarou que sua participação em assuntos relacionados ao Banco Master ocorreu exclusivamente no exercício da advocacia e que atuou dentro dos limites legais e éticos da profissão. Também invocou sigilo profissional para não detalhar as comunicações com clientes.






