As eleições de meio de mandato nos Estados Unidos, realizadas em 3 de novembro, resultaram na vitória do Partido Democrata, que garantiu o controle da Câmara dos Representantes e do Senado. O desfecho das chamadas midterms impõe uma derrota política direta à gestão do presidente Donald Trump, do Partido Republicano, e altera a dinâmica legislativa em Washington pelos próximos dois anos.
Repercussão e paralelos com o Brasil Integrantes da base governista e ministros celebraram a virada em solo americano e apontaram conexões com o cenário político brasileiro.
O ministro da Secretaria de Relações Institucionais (SRI), José Guimarães, disse que as eleições americanas apontam para uma “mudança de rumo” no mundo. “Um verdadeiro tsunami americano varreu os EUA. Mudança de rumo no mundo que começou com a onda vermelha aqui no Brasil. Derrota de Trump é uma vitória do mundo democrático. Viva a Democracia”, escreveu o ministro em sua conta no X.
Já o deputado André Janones (Rede-MG) afirmou enxergar reflexos da vitória brasileira na disputa norte-americana. “A realidade é que a vitória do presidente Lula está inspirando o mundo inteiro. A gente tá mostrando pro mundo que, sim, nós podemos vencê-los de uma vez por todas”, publicou o parlamentar.
Análises da base governista O líder do governo no Congresso, senador Randolfe Rodrigues (PT-AP), adotou tom irônico ao comentar o pleito. “Acontece no Brasil, acontece nos EUA. No final, quem interferiu fomos nós”, postou Randolfe.
O deputado Lindbergh Farias (PT-RJ) associou o resultado a um repúdio internacional a grupos radicais. “Derrota acachapante de Trump mostra que os EUA e o mundo estão dispostos a impedir que a extrema-direita destrua o nosso futuro”, declarou o petista.
Diversidade e representatividade Parlamentares também destacaram os avanços na diversidade dos eleitos e o recado das urnas contra a polarização.
O presidente nacional do PSB, João Campos, pontuou que a votação representou uma resposta aos excessos da administração republicana. “O recado das urnas ultrapassou o Congresso e chegou a redutos históricos republicanos: Gina Hinojosa, primeira governadora latina do Texas; Keisha Lance Bottoms, primeira mulher negra eleita governadora dos EUA, na Geórgia; e Rob Sand, vencedor em Iowa”, citou Campos. “Mais do que uma derrota de Trump, o resultado revela a formação de uma maioria diversa, que rejeita a política do confronto permanente e reafirma a força da democracia. Uma mensagem que ultrapassa as fronteiras americanas”, completou o ex-prefeito do Recife (PE).
A deputada Duda Salabert (PDT-MG) reforçou a importância dos marcos históricos de representatividade. “Trump perdeu o controle do Congresso nos EUA, e as eleições de meio de mandato foram marcadas por conquistas históricas: primeira mulher indígena eleita para o Senado; primeira governadora negra da história dos EUA, na Geórgia; primeiro senador muçulmano eleito; primeira governadora indígena, no Novo México; primeiro senador abertamente gay”, elencou Duda Salabert. “Os resultados representam uma mudança na correlação de forças políticas nos EUA e uma reação eleitoral ao facismo de Trump. Estamos presenciando o fim da era do retrocesso”, complementou a parlamentar.
Críticas da oposição brasileira Mesmo em setores da direita nacional, o revés republicano foi alvo de severas críticas à condução de Trump.
O ex-candidato a presidente e líder do Partido Missão, Renan Santos, criticou a postura do governo americano e sua aproximação com aliados no Brasil. “Essa desgraça de direita retardada dos republicanos, que tem nos Bolsonaro sua filial, tomaram uma taca. Que acabem logo. Trump toca um governo essencialmente corrupto que traiu seus eleitores. Que surja algo novo no lugar”, afirmou Renan em uma rede social.
Enquanto isso, o Palácio do Planalto manteve cautela, sem divulgar pronunciamento oficial por parte do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ou do vice-presidente Geraldo Alckmin.






