Os democratas conquistaram a maioria no Congresso e venceram a disputa em vários governos estaduais nas eleições de meio de mandato dessa terça-feira (3) nos Estados Unidos, um resultado que refletiu uma rejeição à agenda de Donald Trump.
Participação antecipada em patamares recordes
Nos Estados Unidos a votação acontece nas urnas e, de forma antecipada, pelo correio. O total de votos ainda não foi contabilizado, mas os americanos enviaram mais de 61,7 milhões de cédulas antes das eleições de terça-feira, segundo o ‘Election Lab’ da Universidade da Flórida.
O número, um recorde para a votação antecipada nas eleições de meio de mandato, sem dúvida impulsionou os democratas, que tradicionalmente recorrem ao sufrágio pelo correio com mais frequência que os republicanos. Os dados mostram uma participação elevada de eleitores afro-americanos, jovens e outros grupos que frequentemente apoiam candidatos democratas, informou a Rádio Pública Nacional.
O aumento contribuiu para a onda eleitoral de terça-feira, na qual os democratas venceram em disputas cruciais e assumiram o controle das duas câmaras do Congresso.
Gastos bilionários e arrecadação de campanha
As eleições de 2026 registraram um valor recorde de US$ 11,9 bilhões em gastos de campanha. A quantia supera os US$ 8,9 bilhões de 2022, segundo a OpenSecrets, uma instituição não partidária que analisa custos na política americana. A arrecadação nas campanhas e a compra de propaganda aumentaram nas disputas deste ano, impulsionadas pelos chamados comitês de ação política.
Os investimentos externos, liderados por Elon Musk, o homem mais rico do mundo, aliado de Trump, beneficiaram os republicanos em cerca de 360 milhões de dólares. Mas os candidatos democratas mostraram ser especialistas em arrecadar seus próprios recursos.
Os candidatos à Câmara dos Representantes e ao Senado gastaram uma quantia sem precedentes de 3,7 bilhões de dólares de seus fundos de campanha, e os democratas gastaram 800 milhões de dólares a mais que os republicanos, segundo a OpenSecrets. No Texas, o candidato democrata ao Senado, James Talarico, quebrou recordes ao acumular a impressionante quantia de 145 milhões de dólares, superando de longe os 22 milhões de dólares arrecadados por seu rival republicano Ken Paxton, que foi obrigado a buscar apoio de grupos externos para financiar sua campanha.
Derrotas históricas e quebra de tabus partidários
O estado do Kansas não enviava um democrata ao Senado há 94 anos, mas nessa terça-feira Adam Hamilton desbancou seu rival republicano Roger Marshall. Hamilton, pastor de uma grande congregação metodista que há alguns meses era registrado como republicano, tornou-se o primeiro democrata a vencer uma disputa pelo Senado no estado, majoritariamente rural e conservador, desde 1932.
O Texas também votou azul pela primeira vez em décadas e deu a Talarico uma vitória esmagadora ao virar uma cadeira no Senado pelo Texas, o que não acontecia desde 1988, um ano antes do nascimento do político. O golpe foi duplo para os republicanos, já que a democrata Gina Hinojosa, de ascendência mexicana, derrotou o governador do Texas, Greg Abbott, que estava no cargo desde 2015.
A Carolina do Sul também desafiou a história ao virar as costas para a senadora Darline Graham e dar a vitória para a democrata Annie Andrews. Nenhum democrata da Carolina do Sul era eleito para o Senado desde 1998.
Descontentamento entre eleitores jovens e latinos
Os jovens e os eleitores latinos, dois segmentos do eleitorado americano cruciais para Trump, se afastaram drasticamente do presidente e do Partido Republicano, segundo as pesquisas de boca de urna. Os eleitores hispânicos ajudaram a levar Trump ao poder em 2016 e influenciaram sua vitória em 2024, quando se inclinaram pela democrata Kamala Harris por uma margem estreita na eleição presidencial, 51% contra 48%, segundo o Pew Research.
Nas últimas semanas, no entanto, vários eleitores latinos expressaram irritação com Trump e afirmaram que se sentiam traídos. O cenário ficou evidente nas pesquisas de boca de urna da NBC News na terça-feira, quando os eleitores latinos apoiaram os candidatos democratas na proporção de 62% a 35%.
Os eleitores jovens também se distanciaram de Trump. A NBC News informou que suas pesquisas de boca de urna mostraram que os jovens de 18 a 29 anos votaram nos democratas por uma margem de 72% contra 25%, evidenciando uma reviravolta em relação ao pleito presidencial anterior.






