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Democratas vencem midterms e conquistam redutos republicanos nos EUA

Democratas vencem no Texas, Kansas e outros redutos republicanos

Nas eleições de meio de mandato dos Estados Unidos, conhecidas como midterms e realizadas nesta terça-feira, 3, o Partido Democrata obteve vitórias expressivas em redutos tradicionais do Partido Republicano. A oposição ao presidente Donald Trump garantiu mais de 20 cadeiras na Câmara, superando adversários inclusive em distritos onde o republicano havia vencido por margem de dois dígitos na eleição presidencial de 2024.

Mudança de rumo no Senado e no Congresso

No Senado, os democratas conquistaram vagas em sete estados até o momento. Desse total, cinco são regiões onde os republicanos costumam vencer as disputas presidenciais: Iowa, Ohio, Kansas, Carolina do Sul e Texas, além de Maine e Carolina do Norte.

Com esses resultados, a oposição assumirá o controle das duas Casas do Congresso dos EUA em janeiro. A expectativa é de que o atual líder da minoria, Hakeem Jeffries, de Nova York, assuma a presidência da Câmara. Historicamente, esta é apenas a quinta vez desde a Segunda Guerra Mundial que um partido opositor conquista simultaneamente as duas Casas legislativas em uma eleição de meio de mandato.

Derrotas históricas em redutos conservadores

O Texas concentrou algumas das derrotas mais simbólicas para a legenda de Trump. O governador Greg Abbott tentava a reeleição, mas acabou derrotado pela democrata Gina Hinojosa, quebrando uma hegemonia republicana mantida desde 1994 no governo do estado.

Na disputa pelo Senado texano, o democrata James Talarico venceu o republicano Ken Paxton, tornando-se o primeiro nome de seu partido a conquistar uma vaga pela região desde 1988. Os democratas também triunfaram nas eleições locais para procurador-geral, vice-governador e para o órgão regulador do setor de petróleo e gás.

No Kansas, o jejum foi ainda mais antigo: o democrata Adam Hamilton bateu o senador Roger Marshall, garantindo ao partido um assento no Senado estadual que não ocupava desde 1932. Já no Maine, a veterana republicana Susan Collins, que ocupava o cargo havia quase três décadas, perdeu para o democrata Troy Jackson. Em Michigan, Abdul El-Sayed fez história ao vencer a disputa e se tornar o primeiro senador muçulmano do país.

Repercussão e críticas internas

A ex-deputada republicana Marjorie Taylor Greene, que atuou como aliada próxima de Trump antes de romper com o presidente, utilizou as redes sociais para avaliar o impacto do pleito.

“Esta noite foi um verdadeiro referendo sobre Trump”, escreveu Greene. “Ele pediu às pessoas que votassem como se ele próprio estivesse na cédula, e foi exatamente o que fizeram.”

A ex-parlamentar também direcionou críticas severas aos antigos aliados. “Mas são os demais republicanos que precisam aprender a lição e mudar drasticamente de rumo”, afirmou. “E não tenho certeza se eles são capazes disso.”

Apesar do revés expressivo no legislativo, o presidente Donald Trump enviou parabéns aos democratas pelo resultado, mas declarou publicamente que não enxerga no pleito uma rejeição direta à sua liderança política.

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