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Bastidores revelam os personagens por trás da fuga de Flávio Bolsonaro

Israelense ouvido pela PF e advogado de Jair: os personagens da fuga de Flávio Bolsonaro

Investigações baseadas em documentos de imigração revelaram novos desdobramentos sobre a operação que viabilizou a saída do senador Flávio Bolsonaro (PL) do território brasileiro em direção aos Estados Unidos, após sua derrota nas urnas e a determinação do Supremo Tribunal Federal (STF) para que ele entregasse seus passaportes à Polícia Federal.

A logística terrestre e os nomes nas vans

Registros do sistema migratório argentino detalham o trajeto de duas vans até o aeroporto de Puerto Iguazú, na fronteira com Foz do Iguaçu (PR). O primeiro veículo transportava a esposa do senador, Fernanda, e as duas filhas do casal. O segundo veículo levava três homens: o ex-oficial do serviço de inteligência israelense Menachem Booky Halevy, o motorista Neri Luiz Dala Corte e o advogado Roberto Jorge Alexandre.

Roberto Jorge Alexandre, que já integrou a defesa de Jair Bolsonaro e esteve no Complexo Penitenciário da Papuda, teve sua entrada na Argentina registrada no mesmo transporte que o israelense. A imprensa tentou contato com o advogado, mas não obteve retorno.

Já Menachem Booky Halevy foi abordado e levado pela Polícia Federal para prestar esclarecimentos no Aeroporto de Guarulhos antes de embarcar para os Estados Unidos. O motorista Neri Luiz Dala Corte, encontrado em sua residência, relatou ter sido contratado apenas para fazer uma corrida simples.

“Eu levei duas pessoas que eu nem sei quem é. Aí deixei eles lá no aeroporto. Eles desceram, fiz a volta, e quando tava saindo tinha uns repórteres assim na minha frente”, contou.

O motorista negou ter visto familiares do político e respondeu “ninguém, ninguém” quando foi questionado por jornalistas argentinos no local, onde também foram avistados veículos oficiais da segurança aeroportuária e com placas diplomáticas.

Conexões aéreas e investigações paralelas

Outro nome investigado é o do advogado Willer Tomaz, apontado como proprietário de um jato que teria sido utilizado em uma das etapas iniciais do deslocamento a partir de Brasília. A defesa do advogado emitiu nota negando veementemente qualquer envolvimento.

“É falsa a informação de que aeronave pertencente a ele, ou a empresas vinculadas à sua família, tenha sido utilizada pelo senador Flávio Bolsonaro ou por seus familiares para deixar o Brasil”, afirmou em nota.

Willer e Flávio respondem a inquérito no STF sob suspeita de lavagem de dinheiro em um caso de casas de apostas, acusações refutadas pela defesa.

A viagem internacional e o financiamento

Enquanto a imprensa internacional apontou proximidade com assessores ligados a Donald Trump, o empresário argentino Luis Grande, dono da companhia aérea Baires Fly, detalhou o custo de US$ 150 mil (cerca de R$ 800 mil) do voo em um jato Gulfstream G400 que levou a família de Puerto Iguazú até a Flórida, com escala no Equador. Segundo Grande, o pagamento partiu de um intermediário corporativo nos EUA, cuja identidade ele desconhece.

Por sua vez, o secretário de Estado americano, Marco Rubio, negou qualquer interferência oficial do governo estrangeiro no caso.

“Não facilitamos nada. Não tivemos nenhuma participação nos preparativos que ele fez. O governo dos Estados Unidos não teve participação direta em nenhuma das movimentações realizadas”, afirmou.

A defesa do senador, representada por Frederick Wassef, contestou a narrativa de fuga e classificou as informações divulgadas sobre a viagem como não oficiais.

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