Com um placar de 16 votos a favor e sete abstenções, o Parlamento da Groenlândia chancelou nesta terça-feira, 3, o pacto de Defesa celebrado em conjunto com os Estados Unidos e a Dinamarca. A medida fortalece a atuação militar norte-americana no território ártico, ao mesmo tempo em que preserva a soberania dinamarquesa e o princípio de autodeterminação da população local.
Contexto da assinatura e objetivos estratégicos
O acerto oficial foi firmado em 22 de setembro, na cidade de Nova York, pelas mãos do presidente dos EUA, Donald Trump, da primeira-ministra da Dinamarca, Mette Frederiksen, e do primeiro-ministro da Groenlândia, Jens-Frederik Nielsen. A pauta atualiza diretrizes militares trilhadas pelo trio de governos e visa blindar a segurança nas rotas do Ártico e do Atlântico Norte.
O aval legislativo chega após meses marcados por declarações de Trump a respeito de um eventual controle norte-americano sobre o solo groenlandês. A ilha, que funciona como território autônomo pertencente ao Reino da Dinamarca, detém localização geopolítica vital no extremo norte global.
Novas bases e restrições a potências estrangeiras
Entre as principais mudanças, o tratado autoriza Washington a implantar duas novas zonas de Defesa nas localidades de Narsarsuaq e Mestersvig, além de reformular a infraestrutura da Base Espacial de Pituffik. Novas instalações poderão surgir no futuro, desde que passem pelo crivo e negociação mútua entre as partes envolvidas.
Além disso, o pacto facilita o trânsito de tropas, aviões e navios dos EUA na região, exigindo respeito às comunidades nativas e práticas tradicionais como pesca e caça. Em termos geopolíticos, o documento impõe barreiras rígidas à presença militar e a investimentos econômicos de nações que fiquem de fora da Otan, da União Europeia ou de aliados estratégicos.
Próximos passos e críticas da oposição
Apesar do sinal verde dado pelo Legislativo groenlandês, o processo de validação continua. A pauta deve iniciar sua tramitação no Parlamento da Dinamarca no dia 11 de novembro, com votação decisiva prevista para 19 do mesmo mês. A vigência oficial do tratado só ocorrerá após a conclusão de todas as etapas nas duas nações.
Durante as discussões locais, a legenda de oposição Naleraq manifestou insatisfação com a ausência de garantias de retorno financeiro direto aos cidadãos, cobrando aportes em dinheiro e incentivos para o empresariado da região, embora o documento reitere formalmente o direito da população groenlandesa ao próprio destino.






