Eleitores americanos compareceram às urnas nesta terça-feira (3) para definir a composição do Congresso dos Estados Unidos, em um pleito que estabelece os limites de atuação de Donald Trump na segunda metade de seu mandato presidencial. A apuração mobiliza observadores internacionais e equipes de reportagem em regiões estratégicas, como o Michigan, onde repórteres acompanham o andamento da contagem.
O peso do poder legislativo americano
O jornalista Nilson Klava explicou o cenário a partir de um centro de apuração no Michigan: “Porque é o poder do presidente da maior potência do mundo que está em jogo nessa eleição. E qualquer decisão tomada por ele impacta o mundo inteiro. Por essa ela importa tanto. E, no caso de Donald Trump, nos dois primeiros anos desse segundo mandato, ele governou com a maioria na Câmara e no Senado, sem quase sofrer resistência alguma. Isso permitiu a ele tomar decisões como aplicação de tarifas no Brasil ou iniciar uma guerra lá no Irã, sem consultar, sem ter autorização do Congresso. Agora, se a oposição consegue hoje aqui virar esse jogo, ela vai ter mais instrumentos para barrar esse tipo de medida, para colocar freios no poder presidencial, pra abrir investigações, por exemplo, e aumentar a fiscalização do governo. É por isso que essa eleição é tão importante. A votação, ela continua por aqui. Apenas dois estados, Kentucky e Indiana, já fecharam as urnas. E como você tem seis fusos horários diferentes aqui nos Estados Unidos, todo esse processo de votação e apuração deve ir noite adentro, tá gente? Vai acompanhar isso durante longuíssimas horas por aqui. Mas a contagem dos votos já começou. A gente está, inclusive, aqui em um centro de contagem de votos no Michigan. O pessoal aqui atrás de mim já está trabalhando bastante nesse processo. É uma eleição que, sim, como a gente coloca aqui, trata do Congresso, mas é uma eleição que em 36 estados também vai eleger governadores. Então, é uma eleição muito ampla aqui nos Estados Unidos. E nós acompanhamos a reta final da campanha no Michigan e vamos mostrar para vocês, na reportagem, o que está em jogo por aqui também e como está esse clima na reta final da campanha. Vamos ver”.
Comunidades divididas e temas centrais da campanha
Na cidade de Dearborn, reduto da maior comunidade árabe-americana do país, a disputa ao Senado envolve Abdul El-Sayed, candidato da ala esquerda do Partido Democrata que pode fazer história como o primeiro senador muçulmano dos Estados Unidos. A principal bandeira do candidato é a redução do envolvimento militar americano no exterior.
Eleitores como Ayham apoiam a proposta: “Quando alguém promete que vai trazer de volta o dinheiro que seria gasto em guerras, essa pessoa tem o meu voto”, afirma Ayham.
Em resposta ao cenário político, Trump anunciou recentemente um acordo com Israel para interromper o repasse anual de US$ 4 bilhões, justificando a medida em declaração à emissora Fox News: “Por que deveríamos suportar ataques de lunáticos como El-Sayed, se Israel não precisa mais dessa ajuda?”.
Por outro lado, moradores como Julianne Radnai veem o pleito como uma chance de equilibrar as forças políticas: “Como a maior economia do mundo, acho que, se aqui não tiver uma estabilidade, eu acho que o resto do planeta não vai ter estabilidade. Então, eu acho que até por uma segurança muito nosso próprio planeta. Eu acho que é importante a gente dar um freio aí”, afirma Julianne.
Economia, desgaste e o cenário no Congresso
A divergência de opiniões também atinge eleitores tradicionais. Chelsea Rebeck, moradora da região e eleitora democrata histórica, decidiu apoiar o candidato republicano Mike Rogers devido a questões de segurança nacional: “No fim das contas, eu acho que Trump começou a guerra no Irã para manter este país seguro”.
Enquanto isso, empresários locais sentem os reflexos das tarifas comerciais. Mike, proprietário de uma empresa de autopeças em Detroit, relata dificuldades econômicas: “Eles prometeram preços mais baixos, o fim das guerras, mais indústria. Eu não vejo nada disso”, diz Mike.
O engajamento recorde levou quase 60 milhões de eleitores a votarem antecipadamente, de um total de 250 milhões de cidadãos aptos. Historicamente, o partido no poder tende a perder espaço nas eleições de meio de mandato. Caso a oposição conquiste maioria na Câmara e no Senado, o presidente americano indicou que adotará uma postura de forte resistência legislativa, utilizando o poder de veto para bloquear propostas adversárias.






