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Ala do PT apoia ideias de André Lara Resende sobre teto de juros

Parte do PT defende teto de juros proposto por André Lara Resende

Uma ala do Partido dos Trabalhadores próxima ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva demonstra simpatia pela proposta de limitar os juros no país. A medida integra as ideias defendidas pelo economista André Lara Resende, de 75 anos, que participou da formulação do Plano Real, no que tange ao peso dos juros sobre as contas públicas. Manifestações públicas da deputada federal Gleisi Hoffmann (PT-PR) e do coordenador do programa de governo da campanha petista, José Sérgio Gabrielli, evidenciam a receptividade a algumas das diretrizes apresentadas pelo especialista.

Repercussão nas redes sociais e críticas ao mercado No domingo (1.nov.2026), Gleisi compartilhou nas redes sociais um artigo de Lara Resende sobre a política fiscal e monetária brasileira. Na publicação, a deputada classificou o texto como “fundamental para enfrentar essa ofensiva terrorista sobre a política fiscal brasileira”. A parlamentar foi ministra da Secretaria de Relações Institucionais no governo Lula 3 e tentou uma vaga no Senado em 2026, sem sucesso.

Diante da reação negativa do mercado financeiro a uma possível reunião entre o economista e o presidente, a deputada criticou o episódio e escreveu em seu perfil no X: “Membros do governo já disseram que não tem nada disso [uma reunião entre os 2]. E se tivesse, qual é o problema? Conversar sobre um tema ou uma proposta não significa encampá-la. Conversar, ouvir, é o básico da democracia, que defendemos e foi vitoriosa nas urnas”.

O peso dos juros na dívida pública Outro sinal de aproximação veio à tona por meio de um texto de Gabrielli, enviado a jornalistas em 2 de novembro. No documento, ele aponta que merece atenção especial a proposta de Lara Resende de criar um mecanismo mais amplo do que o Conselho Monetário Nacional para coordenar as políticas fiscal e monetária no Brasil.

Em seu artigo, Gabrielli argumenta que o debate sobre as contas públicas precisa considerar o impacto dos juros sobre a dívida. Segundo o documento, os juros nominais do setor público consolidado saltaram de R$ 586,4 bilhões em 2022 para R$ 1 trilhão em 2025, o que representa um crescimento de 71,8% em valores correntes. Esse montante supera a soma dos gastos com saúde e educação, que fecharam 2025 em R$ 364,4 bilhões. Para o economista, o grande desafio da política econômica é reduzir essas taxas, apontadas como o principal motor de expansão da dívida.

Negativa oficial do governo Apesar das manifestações favoráveis vindas de alas do partido, integrantes da administração federal negam que o plano esteja na pauta oficial. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou no domingo (1.nov), ao jornal Valor Econômico, que não existe encontro agendado entre Lula e André Lara Resende, além de descartar o interesse do governo em adotar as diretrizes do economista.

Na mesma linha, o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, reforçou por meio de nota oficial que o tema não faz parte das discussões do Executivo.

“As propostas do economista André Lara Resende não foram discutidas na campanha presidencial e não estão na pauta das discussões do governo. Quem fala sobre economia é o Ministro da Fazenda e ele já esclareceu de forma clara e direta, nesta direção. O presidente Lula sempre governou assegurando transparência e previsibilidade da política econômica”, afirmou a nota oficial de Mercadante. Questionado sobre a agenda presidencial da semana, o Palácio do Planalto informou que os compromissos dos próximos dias ainda não foram definidos.

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