Os representantes legais do fundador do Banco Master, Daniel Vorcaro, solicitaram para esta terça-feira (3.nov.2026) uma audiência com a Presidência do Supremo Tribunal Federal. O objetivo do encontro é pressionar pela análise de recursos travados na mais alta Corte do país, com destaque para a solicitação de soltura do ex-banqueiro, que está detido preventivamente na Papudinha, em Brasília, desde 4 de março.
Atendimento por juiz auxiliar e relatoria temporária
Conforme previsto, os advogados devem ser recebidos por um magistrado auxiliar durante a visita ao STF. No momento, a condução das apurações que miram o empresário permanece sob a responsabilidade provisória do ministro Edson Fachin, que preside o tribunal.
Em paralelo às tratativas internas no judiciário brasileiro, a defesa comunicou nesta segunda-feira (2.nov.2026) o protocolo de uma representação contra a prisão preventiva junto à Comissão Interamericana de Direitos Humanos. A ação busca responsabilizar o Estado brasileiro por supostos abusos cometidos contra o executivo.
Posicionamento oficial sobre o caso internacional
No documento enviado ao órgão internacional, a equipe jurídica justificou o recurso por meio de nota oficial:
“A iniciativa não pretende discutir o mérito das investigações nem substituir a Justiça brasileira. Busca o que a Convenção Americana sobre Direitos Humanos, da qual o Brasil é parte desde 1992, assegura a qualquer pessoa presa: um juiz que decida, em prazo razoável, sobre a sua liberdade, e um tratamento compatível com a dignidade humana”, diz a nota.
A argumentação jurídica aponta que o cliente cumpriu todas as determinações judiciais vigentes e critica a ausência de revisão obrigatória da prisão preventiva após o prazo de 90 dias pelos tribunais nacionais.
Pedidos direcionados à CIDH
Diante do cenário, a petição protocolada na comissão internacional exige a revogação imediata da detenção cautelar mediante a imposição de medidas alternativas, além de requerer expressamente que “um juiz competente decida o pedido de liberdade em 5 dias”.
Indiciamento pela Polícia Federal
A movimentação da defesa ocorre poucos dias após a Polícia Federal formalizar o indiciamento de Daniel Vorcaro, do ex-dirigente do Banco de Brasília Paulo Henrique Costa e de outros 13 investigados por delitos contra o sistema financeiro. A medida foi detalhada em um relatório parcial vinculado ao Inquérito 5.026, que investiga a frustrada negociação de venda do Master para o BRB sob jurisdição do Supremo.
Cabe destacar que o indiciamento representa apenas uma fase preliminar de suspeita formalizada pela autoridade policial, configurando um estágio anterior à eventual apresentação de denúncia criminal formal pelo Ministério Público.
Críticas à atuação policial
Diante da conclusão da PF, os defensores repudiaram a decisão através de um comunicado público, classificando a medida como “açodado e afoito” e pontuando que o ato “antecipa conclusões que a própria investigação admite ainda não ter alcançado”.






