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Inteligência artificial ameaça profissão de modelos e revoluciona a moda

'Em dois anos, toda a indústria será robôs': marcas de roupa querem substituir modelos por imagens de IA

A inteligência artificial está transformando o mercado da moda ao permitir que grifes criem imagens realistas para o comércio eletrônico, reduzindo custos em até 90% em comparação com ensaios fotográficos tradicionais. Contudo, essa inovação gera preocupações sobre o futuro da profissão de modelo, impulsionada pela falta de regulamentações claras sobre a propriedade e o uso de réplicas digitais.

A expansão dos gêmeos digitais e a troca de rostos Análises de contratos de diversas marcas revelam exigências contratuais voltadas para a substituição de rostos e a criação de cópias sintéticas sem remuneração extra.

“Algumas marcas pedem para modificar rostos, corpos, pele, idade ou expressões depois das sessões de fotos usando IA. Outras estão perguntando sobre a criação de ‘gêmeos digitais’ dos modelos, que poderiam ser reutilizados posteriormente sem a necessidade de uma nova produção”, afirmou Patrick Staal.

Empresas como Diesel, Calvin Klein e L’Oréal enfrentam debates sobre cláusulas que preveem desde a alteração de características físicas até o uso de imagens para o aprimoramento de ferramentas tecnológicas.

Impacto no mercado de trabalho e o treinamento de substitutos Com a adoção massiva de tecnologias sintéticas, agências relatam retração nas contratações e o fechamento de estúdios fotográficos dedicados ao e-commerce.

“Em um ano, ou até nos próximos seis meses, haverá menos trabalhos para modelos, especialmente na nossa principal fonte de renda, que é o comércio eletrônico”, disse Adot Gak.

“Se não nos manifestarmos sobre isso, em dois anos toda a indústria será apenas robôs”, completou.

Além disso, contratos avaliados apontam que imagens de profissionais podem servir para alimentar softwares, gerando o risco de que os próprios trabalhadores colaborem para o surgimento de substitutos automatizados.

Redução drástica de despesas no e-commerce Gigantes do varejo europeu como Zalando e About You já eliminaram centenas de vagas em estúdios físicos para priorizar a geração automatizada de campanhas publicitárias.

“Estamos economizando muito dinheiro”, declarou Julian Jansen.

“Sempre existiram dois mundos: o do comércio eletrônico, que é extremamente rápido, e o das sessões fotográficas tradicionais, que são muito lentas. Eles não combinavam de forma alguma. Agora, com a inteligência artificial, tudo funciona em uma escala completamente diferente”, argumentou.

Desafios regulamentórios e proteção jurídica A legislação internacional ainda caminha lentamente para proteger os profissionais contra o uso não autorizado de suas identidades visuais por sistemas automatizados.

“O uso indevido de imagens de modelos não é novidade, mas a inteligência artificial acelera esse problema dez vezes”, pontuou Sara Ziff.

Enquanto iniciativas isoladas surgem para exigir consentimento prévio, entidades do setor alertam que a falta de regras rígidas deixa jovens talentos vulneráveis a acordos prejudiciais a longo prazo.

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