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Apagão global provocado por inteligência artificial ameaça a segurança alimentar

Como alimentar a população mundial se a IA derrubar a rede elétrica

A capacidade de agentes de inteligência artificial rebeldes de destruir nossa espécie na próxima década tem sido tema de debate. Há preocupações no setor com o rápido avanço das capacidades da tecnologia.

O colapso da agricultura moderna

Se uma IA decidisse –ou fosse usada– para eliminar a humanidade, uma interrupção prolongada das redes elétricas seria uma abordagem direta. Uma análise do Conselho de Relações Exteriores dos Estados Unidos e da Sociedade Americana de Engenheiros Mecânicos descreve como operações cibernéticas sofisticadas poderiam, teoricamente, alcançar esse objetivo. O risco é considerado sério o suficiente para que Sam Altman, CEO da OpenAI, tenha se reunido com executivos de concessionárias de energia para discutir como evitar esse cenário.

Um ataque às redes elétricas prejudicaria gravemente a agricultura convencional. Teriam energia apenas aqueles que conseguissem produzi-la por conta própria, por exemplo, com painéis solares e microrredes. Sem bombas de combustível, ventilação para o gado, refrigeração de alimentos, sistemas de irrigação, secagem de grãos e produção de fertilizantes, o sistema alimentar entraria rapidamente em colapso. Até os pequenos agricultores enfrentariam dificuldades.

Estratégias para garantir alimentos

Mas nem todos teriam de passar fome. Há uma década, escrevi um livro com meu colega David Denkenberger que mostrava ser possível produzir calorias suficientes para alimentar a população mundial durante uma catástrofe global, mesmo sem a agricultura convencional.

A prioridade seria desligar a IA rebelde e consertar as redes elétricas. Enquanto isso não fosse possível, o retorno ao trabalho manual e à tração animal reduziria a produção por trabalhador em uma ordem de magnitude. O abastecimento global de alimentos seria suficiente para sustentar apenas uma fração da população mundial atual.

Alternativas emergenciais de sobrevivência

Regiões com agricultura de subsistência e de sequeiro, como partes da África, estariam em situação melhor do que regiões industrializadas, como a América do Norte. Ainda assim, existem caminhos viáveis para mitigar a crise, como redirecionar alimentos de animais para humanos, suspender biocombustíveis e interromper a produção de álcool.

Se a situação piorasse muito, grupos de pesquisa já teriam desenvolvido mais de uma dúzia de maneiras de produzir as calorias necessárias para alimentar a população enquanto a agricultura convencional fosse restabelecida. A última linha de defesa seria criar os chamados alimentos resilientes para abastecer a população.

Essas alternativas radicais englobam a conversão de plásticos em comida, a fabricação de proteínas unicelulares a partir de gás natural e o aproveitamento de resíduos industriais, garantindo a subsistência humana até que a normalidade seja recuperada.

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