O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), construiu uma base de sustentação com 338 parlamentares para tentar a reeleição ao comando da Casa no pleito agendado para 1º de fevereiro de 2027. O montante ultrapassa em 81 assentos o patamar mínimo de 257 votos exigidos para garantir a vitória logo no primeiro turno.
Coalizão ampla isola o Partido Liberal
A supermaioria aglutina legendas tanto do Centrão quanto do espectro progressista, fortalecendo a governabilidade do atual dirigente e complicando a estratégia do PL. O partido da oposição detém 121 assentos, configurando o maior bloco da Casa, mas enfrenta barreiras para viabilizar um nome competitivo.
Os nomes de Sóstenes Cavalcante (RJ) e Altineu Côrtes (RJ) circulam nos bastidores como alternativas do PL, cuja definição oficial de candidatura deve ocorrer em encontro da bancada agendado para a quarta-feira (4.nov). Paralelamente, o bloco oposicionista somado ao Novo totaliza 131 deputados, correndo o risco de perder espaço na distribuição de cargos e comissões cruciais.
Adesão do Partido dos Trabalhadores e estratégia de isolamento
No dia 27 de outubro de 2026, a legenda do presidente Luiz Inácio Lula da Silva oficializou aliança com Motta, juntando-se a União Brasil, PP, PSD, Republicanos, MDB, PSDB-Cidadania, PSB, PDT, Podemos e à federação Solidariedade-PRD. Com o movimento petista, o grupo de apoio alcança doze forças partidárias.
O alinhamento do PT reflete o objetivo de bloquear o avanço da oposição. O líder da bancada petista, Pedro Uczai (SC), pontuou que o foco é barrar o partido rival:
“Vocês viram que o PL anunciou que ia tentar ganhar a presidência da Câmara e a presidência do Senado. E neste momento a nossa responsabilidade é impedir isso, porque sabemos o que eles significam em termos de democracia, de soberania, de direitos do povo”, declarou.
Negociações por cargos na Mesa Diretora e comissões
Enquanto consolida o pacto de reeleição, o PT conduz negociações para ocupar posições de destaque na estrutura diretiva da Casa, mirando postos como a primeira secretaria ou uma das vice-presidências. A sigla também cobiça o comando de colegiados fundamentais, a exemplo da Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania, da Comissão Mista de Orçamento e da Comissão de Finanças e Tributação.
Novas expansões na base governista
O bloco de sustentação ainda pode crescer antes do pleito de 2027. A federação Psol-Rede, com 15 parlamentares, avalia aderir à base governista após deliberação marcada para a terça-feira (3.nov.2026).
Um parlamentar da federação justificou que o alinhamento busca barrar o avanço da legenda oposicionista na mesa diretora: “Precisamos trabalhar para impedir retrocessos na Câmara, por isso isolar o PL”, disse.
Com a forte articulação política, o atual presidente da Câmara repete o cenário de ampla convergência visto em sua primeira eleição, em 1º de fevereiro de 2025, quando obteve 444 votos com suporte de uma frente plural.






