Resíduos orgânicos descartados por indústrias e centros urbanos estão ganhando uma nova destinação no interior de Minas Gerais. Em Marilândia, distrito de Itapecerica localizado na região Centro-Oeste do estado, cascas de eucalipto, restos de madeira, serraria, podas urbanas, estercos e lodo de tratamento de esgoto foram convertidos em fertilizante orgânico de alta qualidade, gerando economia expressiva para agricultores locais.
O processo de transformação dos resíduos
A iniciativa, em funcionamento desde 2020, alcança uma produção anual de 15 mil toneladas. O método consiste na mistura dos materiais orgânicos com a multiplicação de microrganismos diretamente na propriedade rural, técnica conhecida no setor como produção on farm.
O empresário e engenheiro florestal Renato Gatti explicou como funciona a técnica que acelera a decomposição dos elementos recebidos de indústrias alimentícias e granjas:
“Quando recebemos esses resíduos, eles são misturados e com a ativação de alguns microrganismos que nós multiplicamos on farm, eles aceleram todo o processo de decomposição. Eles são enleirados, mantemos temperatura e umidade controlados para criar o melhor ambiente decompositor possível. E após um período de 60 a 120 dias temos a leira pronta para ser aberta peneirada”, disse Gatti.
Impacto positivo na economia circular
O aproveitamento de materiais que antes terminavam em aterros sanitários consolida um modelo eficiente de sustentabilidade e gestão de resíduos na região mineira. Para o empresário, o projeto materializa os conceitos ambientais mais exigidos pelo mercado atual:
“Toda aquela teoria de ESG e economia circular, a gente vê ela aqui na prática. Recebemos resíduos de algumas indústrias, sejam granjas ou alimentícias, que nos encaminham esses resíduos que anteriormente eram destinados para aterros e aqui são transformados em um adubo riquíssimo, que vai fomentar de novo produtores de cereais, que são a base para as rações dos animais”, finalizou Renato Gatti.
Redução de custos na agricultura
A busca por maior rentabilidade e eficiência nas lavouras tem atraído agricultores para o uso do adubo orgânico. Um exemplo é a fazenda do produtor Álvaro Franccino, dedicada ao cultivo de soja, milho e feijão em 500 hectares em Monsenhor João Alexandre, distrito de Cláudio.
Após verificar o desempenho do adubo natural em outras áreas, o agricultor iniciou a transição gradual há dois anos. Atualmente, a propriedade utiliza uma proporção equilibrada entre o adubo convencional e o orgânico, mas projeta uma transformação total nos próximos anos.
“A gente quer transferir a produção para a própria fazenda. Não queremos comprar nada de fora no prazo de cinco anos”, afirma o produtor.
Com a substituição planejada, a expectativa na lavoura é alcançar uma redução de até 50% nos gastos totais com a compra de fertilizantes, mostrando a viabilidade financeira e ambiental da prática.






