O presidente Luiz Inácio Lula da Silva determinou o deslocamento de três ministros de Estado para o Mato Grosso do Sul nesta sexta-feira (30.out.2026). A missão ocorre em meio a denúncias graves de intimidação e violência contra aldeias da região.
Escalada de violência pós-eleitoral
A tensão no estado aumentou consideravelmente após o segundo turno das eleições presidenciais de 2026. Antes mesmo da viagem ministerial, a gestão federal já havia mobilizado a Força Nacional de Segurança Pública, instaurado investigações e montado uma força-tarefa especial.
De acordo com levantamento da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib), mais de 30 ocorrências de violência contra os nativos sul-mato-grossenses foram contabilizadas em decorrência do pleito deste ano.
Comitiva ministerial em solo sul-mato-grossense
O grupo de autoridades enviado pelo Planalto é formado pelo ministro dos Povos Indígenas, Eloy Terena, pela ministra dos Direitos Humanos e da Cidadania, Janine Mello, e pelo ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington César Lima e Silva.
No sábado (31.out.2026), o trio tem agenda oficial na aldeia Taquapiri, situada em Coronel Sapucaia, e na aldeia Sassoró, localizada no município de Tacuru.
Áudios com ameaças e investigação federal
O epicentro da crise se concentra na Aldeia Sassoró. Logo após o encerramento da votação do segundo turno em 25 de outubro de 2026, mensagens de áudio com ameaças severas passaram a ser compartilhadas via WhatsApp entre moradores locais.
Uma das gravações, supostamente emitida por um funcionário da prefeitura municipal cuja identidade não foi revelada, menciona a hipótese de envenenar o sistema de abastecimento de água da comunidade nativa.
“Cê tá doido, rapaz. [Nós – ou como] que ajuda essas praga. E essas praga do demônio. Mas fazer o quê, né? A gente não pode fazer nada. Já falei. Tinha que ponhar [sic] veneno na água”, em referência aos moradores da comunidade.
O prefeito da cidade, Rogério Torquetti (PSDB), admitiu que o autor da mensagem de áudio é realmente um empregado da administração municipal. Contudo, o chefe do executivo local assegurou que o suspeito não atua no departamento de distribuição de água e nem comanda os veículos de pipa da prefeitura, contrariando boatos que circulavam nas redes sociais.
Diante da gravidade da situação, o Ministério Público Federal monitora de perto os desdobramentos, enquanto a Polícia Federal assumiu a responsabilidade de apurar a veracidade e a autoria das gravações, buscando identificar os culpados e checar a ocorrência de crimes.






