Uma pesquisa publicada recentemente demonstrou que adotar uma rotina alimentar restrita em gorduras e focada em vegetais pode favorecer a perda de peso, mesmo sem a imposição de metas para cortar calorias.
O papel da densidade energética
O experimento acompanhou 244 pessoas adultas que lidavam com sobrepeso durante 16 semanas. Enquanto parte dos participantes seguiu um cardápio totalmente vegetal com controle de gordura, o restante manteve seus hábitos normais. Somente o grupo adepto da dieta exclusiva de vegetais apresentou redução na balança ao final do período.
O sucesso desse modelo está associado ao consumo de itens com menor densidade energética, o que permitiu refeições fartas sem o acúmulo excessivo de energia. “Portanto, a mensagem do estudo não é de que adotar uma dieta vegana leva ao emagrecimento, o resultado depende da composição e da qualidade dos alimentos escolhidos”, observa o endocrinologista Carlos Minanni, do Einstein Hospital Israelita.
Além disso, o padrão alimentar contribui para prolongar a saciedade. “Geralmente, os alimentos de baixa densidade energética são ricos em fibras e água, características comuns em vegetais”, declara a nutricionista Marcela Worcemann, especializada em alimentação plant based pela Sociedade Vegetariana Brasileira.
Cuidados com a qualidade nutricional
Especialistas alertam que nem todo ingrediente vegetal é sinônimo de saúde, já que itens nutritivos de alta densidade energética, como azeite e castanhas, exigem moderação. “Azeite de castanhas e sementes são alguns exemplos de alta densidade”, lista Worcemann.
Do mesmo modo, excluir carnes não impede o consumo excessivo de industrializados e produtos de baixa qualidade nutricional. “É possível ter uma alimentação vegana baseada predominantemente em biscoitos, salgadinhos, doces, bebidas açucaradas, frituras, álcool e massas refinadas”, afirma Minanni.
A realidade no Brasil e nutrientes essenciais
Para quem vive no país, é perfeitamente viável manter um padrão vegetal rico e acessível. “No contexto brasileiro, é viável construir uma alimentação predominantemente vegetal com alimentos simples e culturalmente acessíveis”, diz o endocrinologista.
A variedade no prato é fundamental para evitar carências de nutrientes. “Dietas veganas planejadas podem ser nutricionalmente adequadas em qualquer fase da vida, desde que sejam feitas boas escolhas, assim como em qualquer outro modelo alimentar”, afirma a nutricionista.
Alguns elementos exigem maior vigilância e eventuais complementações, a exemplo da vitamina B12, do ferro, do cálcio e das proteínas. Para o ferro, exames são imprescindíveis. “A indicação só deve ser feita após avaliação clínica e exames laboratoriais”, comenta Minanni.
Por fim, vale lembrar que a filosofia plant-based ultrapassa o prato. “Trata-se de um conceito amplo que busca não explorar animais em nenhuma esfera, seja na alimentação, no entretenimento, na vestimenta ou em cosméticos”, afirma Marcela Worcemann.






