O líder do movimento Missão, Renan Santos, direcionou duras críticas à promessa de Flávio Bolsonaro (PL) de instituir o chamado Ministério da Prosperidade em um eventual governo presidencial. Por meio de um vídeo veiculado nas plataformas digitais, o dirigente político associou a iniciativa à retórica do empresário Pablo Marçal e colocou em dúvida a viabilidade prática da pasta.
A falta de detalhamento na proposta
Durante o pronunciamento, o crítico apontou a ausência de diretrizes concretas na ideia anunciada pelo candidato durante o horário eleitoral gratuito.
“Vai fundir vários ministérios para criar o Ministério da Prosperidade, que assim o brasileiro vai prosperar. Como? Não explicou. Quais políticas públicas? Ninguém sabe, mas você vai prosperar”, declarou Renan.
A promessa de criar o ministério focado em empreendedorismo, obtenção de crédito e capacitação foi lançada sem constar formalmente nas diretrizes oficiais do plano de governo, que apenas prevê o corte de pelo menos dez pastas administrativas.
Ataques ao modelo de coach na política
O debate também abordou a influência de figuras ligadas ao mercado de desenvolvimento pessoal na política nacional, momento em que o ex-candidato à prefeitura paulistana foi classificado como “coach malandro”.
“Ah, vamos botar o nome do ministério de coach aí, vamos botar um coach de ministro”, declarou.
Além da polêmica sobre a nova estrutura ministerial, a campanha foi alvo de reprovação por apresentar medidas tratadas como promessas genéricas e estratégias voltadas à captação de eleitores, a exemplo da distribuição planejada de celulares para o público feminino.
Debates econômicos e crise institucional
Para o presidente do Missão, o pleito deveria concentrar esforços em pautas estratégicas de longo prazo, tais como a reindustrialização nacional, a expansão de data centers, o crescimento nordestino e a exploração de terras-raras aliada à conservação ambiental.
“Ter qualidade técnica para assumir uma posição devia ser o básico”, disse.
O posicionamento também abrangeu um alerta severo sobre o perfil dos ocupantes de cargos eletivos na atualidade, culminando em uma avaliação pessimista sobre as instituições do país.
“Estamos entrando num dos períodos mais negros da democracia brasileira. Ela fracassou. O Pacto de [19]88 fracassou, o modelo democrático brasileiro fracassou”, declarou.
Para ilustrar o momento político atual, o cenário institucional foi equiparado ao enredo do longa-metragem “Idiocracy“, uma produção cinematográfica de 2006 que satiriza uma nação liderada por indivíduos sem qualificação.






