O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, desembarcou nos Estados Unidos para participar nesta sexta-feira (30) de uma cúpula de chanceleres do G20 sediada em Atlanta, no estado da Geórgia. Durante a agenda oficial no evento, o diplomata brasileiro tem programada uma reunião bilateral com o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio.
Encontro diplomático de alto escalão O face a face representa a primeira tratativa de alto nível entre os governos do Brasil e dos Estados Unidos desde o pleito do último domingo e o episódio em que o senador Flávio Bolsonaro (PL) fugiu para os EUA. Até o momento da última atualização desta reportagem, a diplomacia norte-americana ainda não havia formalizado o reconhecimento da vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Os detalhes exatos sobre horário e data do acerto entre Vieira e Rubio seguiam sem confirmação prévia.
Divergências e impactos globais Analistas internacionais e diplomatas ouvidos pela agência Reuters apontam que desentendimentos marcantes acerca dos conflitos armados na Ucrânia e no Oriente Médio devem bloquear qualquer possibilidade de deliberações ou notas consensuais ao longo dos dois dias de debates entre as 20 maiores potências econômicas globais.
A diplomacia norte-americana, que comanda a presidência rotativa do G20 neste ciclo, tem direcionado esforços para debater distorções comerciais e articular uma aliança estratégica voltada a barrar o domínio exercido pela China sobre o setor de minerais essenciais. Apesar disso, os impactos econômicos das guerras seguem dominando a pauta prioritária da maioria das delegações presentes.
Tensões e divisões no bloco A lista de convidados também gerou atritos, uma vez que a África do Sul ficou de fora da cúpula ministerial organizada pelos norte-americanos. Por outro lado, a presença do chanceler russo, Sergei Lavrum, elevou o grau de polarização, a ponto de autoridades da Europa cogitarem a realização de duas fotografias oficiais distintas — uma contendo a representação russa e outra sem ela.
Diante do cenário em que potências como Rússia, China, Brasil e Índia buscam equilibrar posições frente à disputa hegemônica entre Washington e Pequim, o panorama reflete “uma divisão muito maior do que já tivemos”, pontuou a ex-economista-chefe do Departamento de Estado dos EUA na gestão de Barack Obama, Heidi Crebo-Rediker.
Ela acrescentou ainda: “Vai ser muito difícil chegar a um acordo completo sobre qualquer uma das questões estratégicas mais amplas que normalmente estariam na pauta”.
Perspectivas e novos acordos Elaine Dezenski, ex-integrante do governo dos EUA e diretora no think tank Fundação para a Defesa das Democracias, avalia que comunicados conjuntos alternativos podem se firmar como a nova diretriz para eventos dessa natureza.
“A reunião de Atlanta ocorre em um ambiente de crescente desacordo sobre a ordem econômica global, e o verdadeiro teste é se os EUA conseguirão construir cooperação com seus parceiros quando o consenso entre todos os membros parece estar fora de alcance”, declarou ela em coletiva nesta semana, destacando também a agenda paralela do Quad, aliança de segurança composta por Estados Unidos, Índia, Japão e Austrália, prevista para os próximos dias na mesma cidade.






