O governo de Luiz Inácio Lula da Silva cobrou esclarecimentos do Executivo argentino a respeito da participação da gestão de Javier Milei na saída do senador Flávio Bolsonaro do território nacional. A solicitação ocorreu na última quinta-feira (29.out), durante reunião com a ministra-conselheira Emilia Cortés, encarregada de negócios da Embaixada da Argentina.
Ações do Itamaraty e viagem de Mauro Vieira
O Ministério das Relações Exteriores exigiu detalhes sobre o episódio. Antes da convocação da representante diplomática, o Itamaraty avaliava diferentes alternativas, incluindo um contato direto entre o chanceler brasileiro, Mauro Vieira, e o ministro das Relações Exteriores da Argentina, Pablo Quirno.
Na mesma quinta-feira à noite, o chefe da diplomacia brasileira embarcou para Atlanta para cumprir agenda em uma reunião de chanceleres do G20, liderada pelo secretário de Estado americano, Marco Rubio. Embora não haja uma reunião bilateral agendada, o ministro brasileiro poderá abordar o tema com o colega argentino durante o evento.
Relações diplomáticas abaladas
Em relação à esfera pública, o presidente Lula deve adotar o silêncio sobre o caso, e o retorno dos embaixadores de ambas as nações não está nos planos imediatos do governo brasileiro.
As relações diplomáticas foram rebaixadas em agosto, após o presidente argentino proferir ofensas contra o líder brasileiro, chamando-o de “presidiário” e “ladrão” durante evento político em São Paulo que oficializou a candidatura de Flávio. Como resposta, o embaixador brasileiro Julio Bitelli foi retirado de Buenos Aires e o posto foi reduzido ao nível de encarregado de negócios, sem previsão de normalização.
A fuga e a repercussão internacional
A saída do parlamentar ocorreu dias após o pleito presidencial. Com os documentos de viagem cancelados por determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, Flávio deixou o país pela fronteira terrestre com a Argentina e embarcou em um jato particular rumo a Miami, passando por uma escala no Equador, acompanhado da esposa e das filhas.
Após inicialmente negar a entrada do senador, a Migração argentina confirmou a passagem do grupo pela fronteira. Veículos de imprensa e investigações apontam uma série de articulações internacionais: o jornal argentino Perfil estimou o custo do voo em US$ 140 mil, custeado por um corretor americano; o The New York Times apontou envolvimento de Jason Miller, assessor de comunicação da Casa Branca; o Clarín destacou a presença de Santiago Caputo, assessor de Javier Milei, em Puerto Iguazú na mesma noite; e o site Urgente24 relatou escolta policial argentina ao grupo.
Já em território norte-americano, o senador publicou uma carta contestando o resultado do pleito, alegando fraude sem apresentar provas e autoproclamando-se “verdadeiro presidente eleito do Brasil”. A terminologia foi posteriormente alterada para “líder do Brasil” após intervenção e pressão do Departamento de Estado dos Estados Unidos.






