Diplomatas e assessores diretos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) decidiram adotar uma postura estritamente pragmática após a revelação de que um funcionário da Casa Branca contratou o avião responsável pela fuga de Flávio Bolsonaro (PL) para os Estados Unidos. O objetivo principal do governo brasileiro é impedir que o episódio seja transformado em uma crise diplomática com o presidente norte-americano Donald Trump.
Pressão interna e o financiamento do jatinho
A leitura no alto escalão brasileiro é de que o próprio líder estadunidense já enfrenta forte pressão interna por ter auxiliado a fuga do candidato derrotado do PL. Essa cobrança tende a se intensificar ainda mais conforme avançarem os questionamentos sobre a origem dos recursos para pagar o jatinho fretado por Jason Miller, assessor da Casa Branca.
Caso fique comprovado que o custeio veio de recursos do governo dos Estados Unidos, os democratas ganharão munição política estratégica para a eleição que renovará o Congresso americano na semana seguinte. As projeções indicam que Trump pode perder a maioria na Câmara dos Representantes e corre riscos reais de também virar minoria no Senado.
Agenda diplomática do G20
Diante do cenário, a diplomacia brasileira enxerga oportunidades de diálogo em encontros internacionais de alto nível. Entre esta sexta-feira e sábado (31), o ministro das Relações Exteriores do Brasil, Mauro Vieira, tem possibilidade de agenda com o colega Marco Rubio durante a cúpula de chanceleres do G20.
O evento servirá como palco para o chanceler brasileiro reiterar ao representante americano que até mesmo o PL, partido de Flávio Bolsonaro, já reconheceu publicamente a vitória de Lula no pleito realizado no último domingo.
Perspectivas futuras para a relação bilateral
Mais adiante, em dezembro, o próprio presidente brasileiro terá um encontro bilateral com Trump durante a reunião de chefes de Estado do G20.
A equipe de assessores de Lula argumenta que o republicano ainda tem dois anos de mandato pela frente. Por essa razão, o Brasil precisa manter canais de convivência e conduzir negociações estratégicas capazes de gerar benefícios diretos para o setor empresarial brasileiro.






