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Ex-presidente do BRB diz à PF que dono do Master ofereceu imóveis de luxo

'Compro todos': ex-presidente do BRB diz que Vorcaro se ofereceu para bancar lista de imóveis; PF apura R$ 146 milhões em propina

O ex-presidente do Banco de Brasília (BRB) Paulo Henrique Costa revelou em depoimento à Polícia Federal que o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, se dispôs a bancar a compra de apartamentos luxuosos escolhidos por ele em São Paulo. De acordo com as autoridades, o esquema envolvia seis propriedades de alto padrão avaliadas em R$ 146,5 milhões para o uso de Paulo Henrique e de seus familiares, sendo quatro na capital paulista e duas no Distrito Federal.

Indiciamento e investigação da Polícia Federal A revelação veio à tona no mesmo dia em que a Polícia Federal indiciou Daniel Vorcaro, Paulo Henrique Costa e mais 13 pessoas no inquérito principal que investiga o caso. Enquanto os investigadores sustentam que a aquisição dos bens funcionava como vantagem indevida para facilitar negócios entre as instituições, o ex-presidente do BRB nega ter recebido os imóveis, afirmando que cinco transações não foram concluídas e a unidade restante foi repassada a terceiros.

A proposta de compra e a recusa da propina Aos investigadores, o ex-presidente relatou que recebeu um convite para assumir uma nova instituição financeira originada das negociações entre o BRB e o Banco Master, o que exigiria sua mudança para São Paulo. Foi nesse cenário que ele passou a buscar residências e enviou uma relação de apartamentos de seu agrado a Vorcaro.

Segundo o depoimento, Vorcaro questionou: “Mas por que você não fica com todos?”. E, na sequência, fez a oferta: “Eu compro todos, já que você gostou. Você vai ser presidente aqui do banco. Você vai ganhar dinheiro um dia”, disse Vorcaro, segundo Paulo Henrique.

O avanço das tratativas e o alerta Os registros da Polícia Federal indicam que cerca de R$ 74 milhões chegaram a ser efetivamente quitados. O restante do montante combinado não foi repassado porque o banqueiro descobriu a existência de um procedimento investigatório sigiloso focado no pagamento de propinas por meio da distribuição desses imóveis. Mensagens analisadas apontam que Vorcaro acompanhava os pagamentos e validava as escolhas, alinhando um cronograma pessoal com o executivo.

Pedido atribuído a Ibaneis Rocha Durante as oitivas, Paulo Henrique também mencionou que o então governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, solicitou a estruturação da venda do BRB ao Banco Master durante um jantar em setembro de 2024. De acordo com o depoimento, o pedido ocorreu nos seguintes termos: “Paulo, estrutura uma venda do BRB para o Master”. A operação posterior passou por reviravoltas, incluindo uma tentativa de compra do Banco Master pelo BRB que recebeu aval legislativo, mas acabou bloqueada pelo Banco Central.

Acusações de captura institucional Nos relatórios finais, a Polícia Federal destacou que o Banco Master ingressou indiretamente na estrutura acionária do BRB com o uso de fundos de investimento para ocultar o beneficiário final. Os investigadores também apontaram que decisões cruciais eram submetidas ao então governador antes mesmo dos trâmites formais de governança.

“Tal atuação é indicativa de captura institucional, na medida em que a estrutura de decisão do banco foi alinhada a interesses específicos, em detrimento dos princípios de impessoalidade, moralidade e interesse público”, conclui a PF.

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