O governo brasileiro exigiu explicações formais da diplomacia argentina na última quinta-feira em Brasília, após a fuga do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) para os Estados Unidos utilizando o território vizinho. A convocação da encarregada de negócios da Argentina ocorreu de maneira protocolar e sem incidentes extraordinários, dias depois de o parlamentar deixar o Brasil rumo à Flórida, após sua derrota nas urnas para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Investigações judiciais na Argentina A juíza federal María Eugenia Capuchetti acionou a administração de Javier Milei para esclarecer se o político brasileiro enfrentou barreiras na imigração e determinou a preservação dos registros de segurança da ponte internacional, dos terminais de imigração e do aeroporto de Puerto Iguazú. Paralelamente, o procurador-geral de Misiones, Fabián Martínez, pediu o arquivamento de uma apuração preliminar sobre supostas irregularidades na passagem do senador, conforme apontado por veículos de imprensa locais.
Oposição cobra o governo de Javier Milei Lideranças oposicionistas no país vizinho questionaram a gestão de Milei sobre uma possível facilitação na fuga do parlamentar conservador em direção norte. O senador, que tem 45 anos e enfrenta múltiplos processos judiciais no Brasil, estava com o passaporte cancelado e proibido de deixar o território nacional, embora não houvesse mandado de prisão ativo contra ele.
Passagem rápida pela fronteira Acompanhado da esposa e de duas filhas, o parlamentar ingressou na Argentina pela província de Misiones na noite de uma terça-feira, embarcando em um jato particular rumo aos Estados Unidos com escala equatoriana apenas duas horas mais tarde.
“Bolsonaro fugiu. Milei o ajudou. Já apresentamos o pedido de interpelação ao chefe de gabinete, Diego Santilli, para que preste contas perante o Congresso”, disse no X o deputado Agustín Rossi, da ala peronista de oposição.
Questionamentos no parlamento argentino O bloco oposicionista União pela Pátria formalizou questionamentos sobre o motivo de a aeronave não ter sido retida para checagem do status judicial do passageiro, apontando impactos na relação diplomática bilateral. Os legisladores também indagaram os motivos da divulgação tardia da movimentação migratória e exigiram esclarecimentos sobre notícias envolvendo a presença de um assessor do alto escalão argentino no aeroporto durante a decolagem.






