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Lula enfrenta o desafio econômico da herança que ele mesmo deixou

Lula e a herança que ele mesmo deixou

Transferir a culpa para a administração anterior é uma prática recorrente do PT. Sempre que o país enfrenta turbulências financeiras, a responsabilidade é atribuída a quem ocupava o Palácio do Planalto antes.

O histórico de justificativas econômicas

No início de 2003, o presidente mencionou uma herança maldita herdada de Fernando Henrique Cardoso, embora o governo tucano tenha entregado as contas com o tripé macroeconômico consolidado, englobando metas inflacionárias, câmbio flutuante e responsabilidade fiscal.

Anos mais tarde, repetiu-se o discurso sobre um suposto país arruinado por Jair Bolsonaro, que encerrou 2022 com um superávit primário de R$ 54 bilhões e endividamento de 73% do PIB, superando o período de pandemia.

O peso das contas públicas

Contudo, em 2027 não existirá nenhum antecessor para servir de alvo. A matriz econômica atual pertence integralmente ao atual chefe do Executivo.

Medidas como estímulo ao consumo, subsídios nos combustíveis, perdão de débitos, isenções tributárias e expansão do programa social totalizaram um custo aproximado de R$ 350 bilhões para a sociedade.

O dilema se estabelece porque cumprir as promessas eleitorais gera inflação, taxas elevadas de juros e estagnação, cenário incompatível com a sustentabilidade de programas de assistência. Por outro lado, realizar um ajuste fiscal exige romper compromissos assumidos com os eleitores e lidar com o impacto social imediato.

Caminhos e riscos futuros

Com o endividamento alcançando 83% do PIB na avaliação do Banco Central e 95% segundo o Fundo Monetário Internacional, as opções exigem desvincular receitas, reavaliar iniciativas sociais, alterar as regras de reajuste do Benefício de Prestação Continuada, eliminar subsídios e reduzir a estrutura do Estado.

A ausência de reformas estruturais tende a desencadear uma espiral de inflação, juros elevados, desvalorização cambial e recessão, repetindo o cenário vivenciado na gestão de Dilma Rousseff.

A conjugação de crise financeira, mobilizações populares e um parlamento desfavorável desenha um cenário desafiador. A ironia reside no fato de que a estratégia fiscal utilizada para garantir a reeleição pode se converter no fator determinante para a instabilidade do mandato.

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