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Ex-banqueiro culpa investigações por crise no BRB e nega fraudes

Vorcaro nega danos ao BRB e diz que rombo bilionário foi causado pela investigação: 'Banco vive de credibilidade'

O ex-banqueiro Daniel Vorcaro, ligado ao Banco Master, rejeitou qualquer responsabilidade sobre o colapso financeiro histórico enfrentado pelo Banco de Brasília (BRB). A declaração foi dada à Polícia Federal durante depoimento realizado em 15 de outubro de 2026, cujos registros em vídeo foram tornados públicos e remetidos ao Supremo Tribunal Federal (STF).

Indiciamento pela Polícia Federal A divulgação do material ocorre logo após a conclusão do inquérito principal conduzido pela corporação. A Polícia Federal indiciou Daniel Vorcaro, o ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa e mais 13 pessoas envolvidas no esquema investigado pela operação Compliance Zero. O relatório agora segue para análise do ministro do STF André Mendonça, que deve encaminhar o documento ao Ministério Público Federal para eventual oferecimento de denúncia à Justiça.

Operações financeiras sob escrutínio Durante a oitiva com a delegada da PF Janaina Palazzo, o ex-banqueiro foi confrontado sobre o repasse de R$ 11,5 bilhões em carteiras de crédito da consultorias Tirreno do Banco Master para o BRB. De acordo com as autoridades, os montantes careciam de lastro financeiro. As transações ocorreram no período em que o BRB tentava adquirir o Banco Master, negócio que acabou vetado pelo Banco Central, culminando na liquidação da instituição financeira.

Em sua defesa perante os investigadores, o investigado justificou a movimentação dos ativos. “O que eu fiz. Tive problema numa carteira [da Tirreno], peguei ativos do banco e substituí. Peguei ativos próprios meus e substituí, em boa fé com o BRB. E hoje tem mais ativos do que ele pagou, lá. Essa é a realidade”, afirmou Vorcaro.

Impacto reputacional e saques bilionários O ex-dirigente argumentou que a deterioração das contas da instituição brasiliense decorreu da exposição midiática e das medidas adotadas pelas autoridades de controle, e não de sua gestão. Segundo levantamento do banco, as negociações conjuntas entre 2024 e 2025 alcançaram R$ 30 bilhões, sendo apontados pelo menos R$ 8,8 bilhões em títulos considerados de difícil recuperação ou inexistentes.

“O que aconteceu? O banco vive de credibilidade. Depois da liquidação e da minha prisão, foi sacado R$ 9 bilhões do BRB. A crise do BRB não causada por mim, não, foi causada pela situação que ocorreu. De liquidação do Master, que era parceiro. Os ativos estão lá, eu não gerei crise de liquidez no BRB”, emendou, pouco depois.

Desdobramentos e busca por alternativas As apurações da operação Compliance Zero revelaram um suposto esquema bilionário de fraudes, o que levou inclusive à prisão de Paulo Henrique Costa meses antes. Diante do prejuízo bilionário estimado nos papéis adquiridos, o governo local planeja recuperar R$ 2,2 bilhões por meio de compensações, enquanto busca alternativas de financiamento para sanar o restante do rombo patrimonial.

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