Um levantamento técnico apresentado ao Supremo Tribunal Federal (STF) nesta quinta-feira (29) revelou a existência de 94 arquivos de imagem com registros de criação posteriores à apreensão do celular do banqueiro Daniel Vorcaro pela Polícia Federal, ocorrida em novembro de 2025. O material integra uma petição da defesa que contesta os procedimentos de preservação das provas utilizadas nas apurações envolvendo o Banco Master.
Ativações da câmera e novos arquivos
Os dados foram apontados pelo perito Marcos Monteiro, assistente técnico da defesa, após o exame do iPhone 17 Pro de Vorcaro. De acordo com o relatório, os 94 arquivos em formato HEIC apresentam datas de criação em 18 de novembro de 2025, exatamente um dia após a detenção do empresário no Aeroporto Internacional de Guarulhos, na Grande São Paulo.
O documento detalha que a câmera frontal do smartphone foi acionada 33 vezes entre as 23h24 do dia 17 e a 1h56 do dia seguinte, coincidindo com 33 eventos de desligamento da lente. O aparelho já estava em modo avião desde as 23h22. No entanto, o levantamento ressalta que a análise não comprova que essas ativações tenham gerado fotografias ou tenham relação direta com os arquivos criados após a apreensão, visto que a câmera pode ser acionada por recursos do sistema, como o reconhecimento facial.
Centenas de registros sob custódia estatal
Além das imagens, o escaneamento identificou um volume expressivo de dados gerados enquanto o dispositivo já estava sob custódia das autoridades. No total, foram contabilizados 436 arquivos criados em 18 de novembro de 2025, incluindo 222 arquivos no formato PLIST — empregados pela Apple para configurações de aplicativos —, cinco bancos de dados e 657 arquivos com registros de modificação na mesma data.
Apesar dos números, o documento pontua que os registros isolados não deixam claro quem executou as operações, quais procedimentos as causaram ou se houve intervenção humana deliberada. O perito destacou que seria indispensável examinar os registros de procedimentos do aparelho para esclarecer a origem dos arquivos.
Impacto nas investigações e pedidos da defesa
O conteúdo extraído do telefone é central para as investigações da Operação Compliance Zero, utilizada pela Polícia Federal para mapear contatos do banqueiro com autoridades, empresários e advogados. Entre os materiais alvos de análises anteriores estão conversas e contratos ligados a empresas do Banco Master. O novo relatório, contudo, não estabelece vínculo entre as imagens recém-descobertas e os documentos já utilizados pelos investigadores.
Diante dos achados, os advogados de Vorcaro exigem acesso aos arquivos originais da extração, aos registros de manuseio e à documentação detalhada da cadeia de custódia, além de esclarecimentos sobre o desbloqueio do iPhone. Em manifestações prévias enviadas à Suprema Corte, a corporação defendeu que o material permanece íntegro e guardado em suas dependências. A análise da defesa não atesta adulteração intencional, mas aponta lacunas técnicas na transparência da custódia estatal.






