O dólar comercial registrou forte alta nesta quinta-feira (29) e encerrou o dia cotado a R$ 5,3878, uma valorização de 0,89%. A oscilação interrompeu uma sequência de dois pregões consecutivos de queda, período em que havia acumulado baixa de 1,16%, aproximando-se novamente da barreira psicológica de R$ 5,40.
Fatores locais e aversão ao risco
Especialistas apontam que o movimento foi impulsionado tanto por um ambiente externo de aversão ao risco quanto por apreensões internas em relação à condução econômica do novo mandato presidencial.
“Vejo o mercado operando muito mais o quadro local que o externo nesta semana pós-eleição. O que todo mundo quer saber é como vai ser a política econômica e se vai ter ajuste fiscal”, afirma o gestor de portfólio da Azimut Brasil, Marcelo Bacelar.
Ele acrescenta ainda: “É natural o dólar estressar quando surgem declarações de pessoas próximas ao governo contra um ajuste, como vimos hoje [quinta-feira]”.
Repercussão de declarações oficiais
O estresse cambial intensificou-se no início da tarde, quando a divisa alcançou a cotação máxima de R$ 5,4290. Analistas atribuíram o pico à repercussão de uma postagem do ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, na rede social X. Na publicação, ele afastou a possibilidade de reduções em despesas sociais para equilibrar as contas públicas.
“O ‘tesouraço’ foi derrotado nas urnas e pela mobilização popular”, escreveu Boulos.
Expectativas e alívio no fim do pregão
A pressão compradora diminuiu nos minutos finais da sessão após a circulação de notícias sobre possíveis articulações para o Ministério da Fazenda, o que trouxe alívio parcial aos negócios. Mesmo assim, o real registrou o segundo pior desempenho entre as moedas de alta liquidez no dia, superando apenas o peso mexicano.
“Além da questão do ajuste, há expectativa pela indicação para as diretorias do Banco Central. Qualquer sinalização ruim se reflete no câmbio”, afirma Bacelar.
Cenário internacional
No exterior, o índice DXY — que mede a força da moeda americana frente a uma cesta de seis divisas globais — continuou em trajetória de baixa e ficou abaixo dos 102,000 pontos. O movimento ocorreu apesar de indicadores sólidos nos Estados Unidos, onde o PIB do terceiro trimestre cresceu a uma taxa anualizada de 3,4%, superando as projeções iniciais do mercado.






