A defesa de Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, protocolou nesta quinta-feira (29) no Supremo Tribunal Federal (STF) um parecer preliminar, encomendado pelos advogados, que aponta supostas alterações no celular do ex-banqueiro após a apreensão do aparelho, em novembro de 2025.
Questionamento sobre a integridade das provas
Os advogados usam o documento para questionar as provas utilizadas pela Polícia Federal nos inquéritos que investigam Vorcaro. A petição exige que a corporação apresente dados solicitados desde fevereiro.
“O aparelho registrou atividade durante a madrugada, enquanto estava nas mãos do Estado, e não há um documento sequer que diga quem o manuseou, por que e com que resultado”
Segundo a defesa, a perícia foi solicitada “em virtude de Daniel Vorcaro não reconhecer a veracidade de vários dos conteúdos vazados”. O levantamento técnico aponta que no dia da prisão do ex-banqueiro, em novembro de 2025, centenas de arquivos sofreram modificações e novos dados foram gerados.
“Entre 23h22 de 17 de novembro e 2h25 de 18 de novembro de 2025, com o aparelho já sob custódia policial e em modo avião, o relatório oficial registra 207 eventos de tela, 33 ativações da câmera frontal pelo componente de reconhecimento facial e três conexões pela porta USB”.
Exigência de preservação de dados
No material enviado à Suprema Corte, os defensores solicitam dados brutos, registros técnicos e acesso a documentos sobre a custódia do equipamento.
“Desde 19 de fevereiro de 2026 a defesa pede ao Supremo Tribunal Federal acesso aos arquivos brutos da extração, aos códigos hash, ao auto de apreensão, aos termos de lacração, aos registros de manuseio com a identificação dos responsáveis por cada etapa e à informação sobre eventual participação, na perícia, de pessoas estranhas aos quadros da Polícia Federal”.
Indiciamento e investigações em andamento
As contestações ocorrem logo após a Polícia Federal enviar ao STF um relatório parcial com o indiciamento de 15 suspeitos por irregularidades envolvendo o Banco Master e o Banco de Brasília (BRB). A investigação aponta que Daniel Vorcaro e Paulo Henrique Costa integravam o núcleo estratégico de um esquema para viabilizar a compra da instituição financeira entre 2024 e 2025. O relator do caso, ministro André Mendonça, agora analisa um pedido da polícia para prorrogar as diligências por mais 60 dias.






