O principal banco de dados do WhatsApp no celular de Daniel Vorcaro registrou uma alteração horas após a detenção do banqueiro no Aeroporto de Guarulhos. A constatação faz parte de uma análise técnica anexada pela defesa do ex-controlador do Banco Master ao Supremo Tribunal Federal (STF).
Análise do arquivo e conexões USB
O elemento verificado é o ChatStorage.sqlite, arquivo empregado pelo aplicativo no sistema iOS para guardar o histórico de mensagens do usuário. De acordo com o laudo assinado pelo perito Marcos Monteiro, assistente técnico da defesa, a modificação ocorreu apenas seis segundos depois do término de uma conexão via porta USB no dispositivo.
Os dados apontam que o smartphone permaneceu conectado por essa via entre 1h48min01s e 1h48min08s do dia 18 de novembro de 2025, enquanto a alteração no sistema ocorreu logo em seguida, às 1h48min14s. Naquele momento, o aparelho já estava sob custódia das autoridades e em modo avião desde a noite anterior. O documento técnico, contudo, não especifica quais conteúdos foram mexidos, tampouco comprova se houve exclusão, inclusão ou edição intencional de mensagens.
Atividades registradas no celular
O levantamento pericial mapeou diversas ocorrências no telefone durante o período em que o equipamento estava apreendido, incluindo 207 eventos de acionamento de tela, 33 ativações da câmera frontal, três conexões USB, quatro registros de senhas e modificações em arquivos internos do sistema. A defesa argumenta que faltam documentos para esclarecer a autoria e o propósito de tais movimentações.
Centralidade das mensagens e pedidos ao STF
As conversas do aplicativo são pilares nas investigações da Polícia Federal sobre as redes de contatos do ex-controlador do Banco Master antes de sua captura. Os investigadores já haviam utilizado dados do sistema operacional para recuperar diálogos e cruzar informações com capturas de tela e arquivos temporários.
Diante do cenário, os advogados solicitaram ao STF o acesso aos arquivos brutos da extração inicial, aos registros técnicos da ferramenta empregada e à documentação integral da cadeia de custódia. Por sua vez, a Polícia Federal já havia declarado em manifestação anterior que o material original segue preservado nas instalações da corporação, contando com protocolos rígidos de verificação de integridade.






