O governo federal atribui a apoiadores do candidato derrotado, Flávio Bolsonaro (PL), 10 homicídios cometidos contra eleitores de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) desde a proclamação do resultado, no domingo (25.out.2026).
Escalada de violência pós-eleitoral Os episódios se intensificaram no domingo (25.out), depois do resultado vitorioso do petista, e continuaram a ser registrados até 3ª feira (27.out). Das 10 vítimas fatais, 3 são indígenas. A gestão afirma que o contrário não foi registrado –eleitores de Lula matando eleitores de Flávio.
Paraná, São Paulo, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais e Santa Catarina concentram o maior volume de ocorrências, nessa ordem. Os dados foram detalhados durante entrevista coletiva no Ministério da Justiça, na capital federal, nesta 4ª feira (28.out).
Balanço detalhado das ocorrências O levantamento oficial aponta ainda 7 atropelamentos intencionais, 14 agressões físicas, espancamentos e esfaqueamentos, além de 5 disparos e atentados com armas de fogo. O documento registra também 5 casos de violência e coação contra povos indígenas e 6 ocorrências de abuso de autoridade e violência policial.
O ministro da Secretaria Geral da Presidência, Guilherme Boulos, afirmou que todos os casos que chegaram ao governo foram de violência contra apoiadores de Lula, “em sua maioria como reação ao resultado eleitoral”. A maior parte das ocorrências foi registrada entre a noite de domingo e a 2ª feira (26.out).
“Isso não cabe na democracia, isso é próprio de barbárie”, declarou. O ministro afirmou que os crimes “não ficarão impunes”.
Ações e articulação institucional Para conter os episódios, o Planalto anunciou 3 frentes de resposta: centralização das investigações na PGR (Procuradoria Geral da República); acionamento da Polícia Federal para identificar e prender os autores em cada caso; e cobrança às corregedorias das polícias e aos Ministérios Públicos estaduais para afastar e punir policiais envolvidos.
O secretário Nacional de Segurança Pública, Chico Lucas, pontuou que a descentralização das atribuições entre diferentes instituições pode gerar impunidade.
O secretário-executivo do Ministério da Justiça, Ademar Borges, esclareceu os trâmites jurídicos e ressaltou que crimes comuns continuam com as polícias estaduais, enquanto os homicídios de indígenas e delitos específicos já possuem inquéritos federais em andamento.
Violência de gênero e ambiente digital A secretária Nacional de Acesso à Justiça, Sheila de Carvalho, destacou que os ataques também atingiram eleitoras e que os materiais foram repassados à corporação policial.
“Não queremos a repetição de um 8 de janeiro no Brasil”, declarou.






