O Partido dos Trabalhadores decidiu endossar a candidatura do presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), em reunião da bancada realizada em Brasília nesta terça-feira, 27. Com o movimento, o parlamentar amplia sua base de articulação para tentar permanecer no comando da Casa.
A estratégia para isolar a oposição Os defensores do apoio imediato dentro da legenda consideravam que a aliança poderia formar um bloco parlamentar capaz de reduzir o espaço do PL na disputa pelo comando da Câmara. A legenda de Flávio Bolsonaro terá a maior bancada da Casa a partir do próximo ano e avalia lançar candidatos às presidências da Câmara e do Senado, além de postos nas comissões.
Divergências internas superadas Dentro do PT, havia debates sobre o timing da decisão. Uma ala defendia fechar questão imediatamente, enquanto outra preferia adiar o anúncio para dezembro ou janeiro com o objetivo de negociar os termos do acordo. A oficialização ocorreu após a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva sobre Flávio Bolsonaro (PL) na eleição presidencial, momento em que a segunda maior bancada da Câmara, com 70 deputados eleitos em 4 de outubro, definiu sua posição.
Ampla coalizão e forças de esquerda Partidos favoráveis à permanência do atual presidente já somam 354 deputados, superando a maioria absoluta dos 513 integrantes da Câmara, onde o candidato precisa de pelo menos 257 votos para vencer. O PCdoB, que elegeu 11 deputados, também declarou apoio a Hugo Motta. PSB e PDT já haviam anunciado adesão na semana anterior.
O peso do Centrão na disputa A candidatura conta ainda com o respaldo de um grupo de dez partidos do Centrão, que reúne 252 parlamentares. A coalizão engloba Republicanos, PSD, MDB, Podemos e as federações União Brasil-PP, PSDB-Cidadania e PRD-Solidariedade.
Reunião estratégica no Palácio da Alvorada Na segunda-feira, 26, Motta e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), encontraram-se com Lula no Palácio da Alvorada, em conversa sem ministros. Nas redes sociais, Motta afirmou que a reunião serviu para cumprimentar Lula pela vitória e reafirmar o compromisso com a harmonia entre os Poderes e a atuação conjunta do Congresso. Essa articulação será essencial para a tramitação das pautas do governo, especialmente diante da previsão de uma maioria de direita no Legislativo a partir do próximo ano.






