O ministro das Relações Institucionais, José Guimarães (PT), comparou nesta terça-feira (27.oct.2026) a postura do senador e candidato derrotado à Presidência, Flávio Bolsonaro (PL), com a do presidente reeleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Durante entrevista à CNN Brasil, o ministro afirmou que, ao contrário de Lula, que permaneceu no país para enfrentar a Justiça em 2018, Flávio foi “frouxo” e “covarde” por ter deixado o território nacional entre segunda e terça-feira (26 e 27.out).
Investigações e intimação da Polícia Federal
A viagem do parlamentar ocorreu logo após a Polícia Federal intimá-lo a entregar seus passaportes, em cumprimento a uma decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal. O prazo determinado para a entrega dos documentos encerrava-se ao meio-dia desta terça-feira.
Embora ainda não tenha sofrido condenações judiciais, o senador é alvo de dois inquéritos em tramitação no STF. Uma das investigações, sob a relatoria de Moraes, analisa uma suposta lavagem de dinheiro por meio de plataformas de apostas. A outra apura o financiamento da produção cinematográfica “Dark Horse”, que retrata a trajetória de Jair Bolsonaro.
Durante a entrevista, Guimarães criticou a decisão do senador de deixar o Brasil:
“A Justiça Eleitoral, ao declarar vitorioso o presidente Lula, fez o reconhecimento do resultado das urnas. E os que perdem ou os que ganham precisam estar preparados para resistir a qualquer investigação. Ora, se ele justificou a saída do Brasil por conta de um início de perseguição de um ministro do Supremo, os órgãos do Judiciário existem para corrigir injustiças, como fizeram com o Lula. O juiz de primeiro grau condenou o Lula; o Supremo anulou a condenação. Portanto, era isso que se esperava de um cara que foi quase eleito presidente da República no 1º turno. […] Portanto, não acho isso uma atitude compatível com alguém que pretendia ser presidente de um país do tamanho do Brasil”, afirmou Guimarães.
Repercussão internacional e ausência de cumprimentos
O ministro também abordou os cumprimentos recebidos por Lula por parte de diferentes líderes internacionais, destacando que chefes de Estado de diversas tendências políticas na América Latina e no restante do mundo já telefonaram para reconhecer a vitória eleitoral.
Segundo o integrante do governo, apenas dois líderes de relevância global optaram por não realizar o contato formal: o presidente da Argentina, Javier Milei, e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
“Tem 2 chefes de Estado que não ligaram para reconhecer a vitória do Lula: o argentino Javier Milei —de quem não se espera nada também, né? Difícil ele fazer qualquer declaração e reconhecimento— e o 2º é o presidente dos Estados Unidos, o Trump. […] a nossa expectativa é que ele, a curto prazo, possa declarar o reconhecimento das eleições, porque todos os chefes de Estado de importância no mundo já ligaram para o Lula. Todos da América Latina —impressionante, até os que têm uma configuração mais à direita […] acho lamentável que tenha algum chefe de Estado que não tenha ligado para o presidente para fazer o reconhecimento público do significado dessa eleição no Brasil”, declarou o ministro.
Perfil para a Fazenda
Questionado sobre os planos para a pasta econômica, Guimarães avaliou que o próximo titular do Ministério da Fazenda deve manter uma linha de atuação equilibrada entre as diretrizes financeiras e as demandas sociais, nos moldes do que foi executado na gestão de Fernando Haddad.
“Nem pode ser, na minha humilde opinião, nem um cara que só se preocupa com o fiscal, nem um cara que só se preocupa com o social. Tem que trabalhar as duas coisas, como o Haddad trabalhou no passado”, concluiu.






