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Wall Street Journal aponta vitória de Lula como risco fiscal para o Brasil

Wall Street Journal vê vitória de Lula como revés para o Brasil e alerta para crise fiscal

O jornal norte-americano The Wall Street Journal publicou um editorial severo contra a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Sob o título “Os mercados não votam em Lula”, o conselho editorial atribuiu a queda das ações brasileiras, a desvalorização do real e a turbulência no mercado de títulos públicos à vitória do petista sobre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) no segundo turno das eleições presidenciais.

Bolsa em queda e reação do mercado financeiro Lula venceu a disputa com 51,8% dos votos, enquanto seu adversário obteve 48,2% após liderar a preferência no primeiro turno. Para a publicação internacional, o resultado surpreendeu os investidores e interrompeu uma sequência de triunfos eleitorais da direita na América Latina nos últimos três anos.

A reação do mercado financeiro foi imediata e drástica. O principal índice da bolsa brasileira despencou 10% na abertura das negociações, acionando a suspensão temporária das operações. Com a retomada, as perdas se aprofundaram e o indicador fechou o pregão com um recuo próximo a 14%.

Os recibos de ações da Petrobras negociados no exterior caíram 14%, e os papéis do Itaú Unibanco recuaram 20%. O fundo de índice iShares MSCI Brazil (EWZ) registrou baixa de 19,4%, ao passo que o real perdeu 8,7% de seu valor frente ao dólar. Diante do cenário de instabilidade, o Tesouro Nacional cancelou os leilões de títulos públicos programados para a semana.

Crise fiscal e o fantasma da inflação De acordo com a análise do periódico, a aversão dos investidores decorre das incertezas fiscais e da manutenção da diretriz econômica de Lula, que iniciará seu quarto mandato presidencial em janeiro de 2027. O texto aponta que o país possui uma economia de US$ 2,6 trilhões com dificuldades crônicas de crescimento e de preservação do poder aquisitivo da população.

O Produto Interno Bruto (PIB) nacional cresceu 2,3% em 2025, mas as projeções indicam expansão inferior a 2% para 2026. Para o jornal, esse ritmo é insuficiente para combater a pobreza. O editorial destaca que o Partido dos Trabalhadores governou o país por quase 18 dos últimos 24 anos, período em que 14 nações ultrapassaram o Brasil em PIB per capita, a exemplo de Tailândia, Guiana e República Dominicana.

O déficit fiscal deverá encerrar 2026 na faixa de 10% do PIB, impulsionado pelo aumento de gastos públicos após o primeiro turno. Com a dívida pública superando 82% do PIB e a taxa básica de juros fixada em 13,75% para conter pressões inflacionárias, o governo gasta cada vez mais para financiar o endividamento. O veículo lembrou que o país ainda guarda a memória da hiperinflação dos anos 1990, quando a alta de preços superou 1.000% ao ano. Antes do pleito, o Goldman Sachs já havia alertado que um ajuste fiscal era “urgentemente necessário”.

Controvérsias institucionais e o Supremo Além da economia, o editorial direcionou críticas ao Supremo Tribunal Federal (STF), acusando a Corte de adotar posturas arbitrárias e de beneficiar a candidatura governista. O jornal citou especificamente a decisão do ministro Cristiano Zanin — ex-advogado de Lula —, que prorrogou a votação por duas horas no domingo eleitoral a pedido da campanha petista.

Apesar do revés federal, a oposição obteve avanços importantes nos estados e no Congresso Nacional, onde o Partido Liberal deve controlar a maioria nas duas Casas legislativas. Contudo, o WSJ demonstrou ceticismo sobre a capacidade do Senado de fiscalizar o Judiciário, especialmente diante da prerrogativa de Lula indicar até quatro novos ministros para o STF ao longo dos próximos quatro anos.

Para o conselho editorial, a derrocada dos ativos financeiros reflete a desconfiança antecipada dos investidores estrangeiros e nacionais quanto aos rumos institucionais e fiscais do Brasil no próximo mandato presidencial.

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